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Dia Internacional do Jornalismo

📅 8 de Setembro Hoje 🏛️ International Organization of Journalists
8
Setembro
Data fixa todos os anos
Não
Oficial ONU
Celebração internacional
Direitos Humanos
Categoria
55 dias nesta categoria

O Dia Internacional do Jornalismo assinala-se a 8 de setembro, o dia de 1943 em que foi enforcado na prisão de Plötzensee o jornalista checo Julius Fučík. Não figura na lista de dias internacionais da ONU, ao contrário das outras duas datas do jornalismo.

O dado
162 jornalistas
Foram assassinados no exercício da profissão durante 2023 e 2024, segundo as Nações Unidas. Desde 1993 são mais de 1.700.

História e origem: quem foi Julius Fučík

O memorial de Plötzensee documenta o seu percurso. Quando as tropas alemãs ocuparam a Checoslováquia em março de 1939, Fučík passou à clandestinidade em Praga. Em fevereiro de 1941 entrou no comité central do Partido Comunista, então ilegalizado, e a Gestapo deteve-o a 24 de abril de 1942.

Um funcionário da prisão deu-lhe a possibilidade de escrever. Nos primeiros meses de 1943, na cadeia de Pankrác, redigiu as notas que viriam a ser publicadas em livro e traduzidas para muitas línguas. O «Tribunal do Povo» condenou-o à morte a 25 de agosto de 1943 e enforcaram-no catorze dias depois.

As três datas do jornalismo, e qual delas tem base oficial

As três circulam misturadas e só duas vêm de uma instituição.

DataDiaQuem o proclama
3 de maioDia Mundial da Liberdade de ImprensaAssembleia Geral da ONU, dezembro de 1993, por recomendação da Conferência Geral da UNESCO
8 de setembroDia Internacional do JornalismoNão figura na lista da ONU
2 de novembroDia Internacional para Pôr Fim à Impunidade dos Crimes contra JornalistasNações Unidas, A/RES/68/163

O 3 de maio foi proclamado pela Assembleia Geral em dezembro de 1993, por recomendação da Conferência Geral da UNESCO, e a data é o aniversário da Declaração de Windhoek.

Para o 8 de setembro, a atribuição que circula é precisa: o IV Congresso da Organização Internacional de Jornalistas, realizado em Bucareste em 1958. Não foi possível verificá-la contra nenhum documento dessa organização, que não mantém atividade pública localizável e cujo domínio, ioj.cz, estava fora de serviço a 5 de setembro de 2026.

A data circula ainda com outros nomes, Dia Internacional do Jornalista e Dia de Solidariedade com os Jornalistas, que são os que mais aparecem fora dos calendários em português.

O dado
85 %
Dos homicídios de jornalistas cometidos desde 2006 continuam por resolver ou foram abandonados, segundo as Nações Unidas. A percentagem conta-se desde 2006 e não sobre um ano concreto: é acumulada, e por isso um número anual de casos resolvidos quase não a move.

O que convém desmontar

O primeiro mal-entendido é que a ONU sustenta esta data. Não sustenta, e a própria tabela mostra-o. Ter décadas de uso não dá estatuto oficial a um dia.

O segundo é ler a impunidade como uma falha policial. A ONU apresenta-a como causa e não apenas como consequência: quando quem manda matar não presta contas, o crime seguinte fica mais barato.

O terceiro é tratar o risco como uniforme. A ONU registou em 2022 o maior número de jornalistas mulheres assassinadas desde 2017, com dez casos. A efeméride de 2 de novembro tem-se centrado nas ameaças que elas recebem no ambiente digital.

E o quarto é dar por estável o mapa do risco. Quase metade das mortes ocorre já em países em conflito armado, contra 38 % nos dois anos anteriores: o perigo está a deslocar-se para as zonas de guerra.

Como se vive em Portugal e no Brasil

A América Latina e as Caraíbas são a região do mundo com mais homicídios de jornalistas. Recolhe-o a ONU, citando o relatório do diretor-geral da UNESCO sobre segurança dos jornalistas.

No Brasil o Dia do Jornalista não é o 8 de setembro: é o 7 de abril. Instituiu-o a Associação Brasileira de Imprensa em 1931, em memória de Líbero Badaró, o jornalista morto por adversários políticos em 1830. É uma data nacional, sem proclamação internacional, e convive com as três da tabela.

Em Portugal o risco não é o dos homicídios, e por isso os números da ONU dizem pouco do caso português: essa lista mede mortes. Portugal não estar nela indica onde não se mede, não que não haja problema.

Como participar

  • Pague pela informação que lê. Uma assinatura sustenta o trabalho de investigação, que é o primeiro a desaparecer quando há cortes.
  • Verifique antes de divulgar. Difundir uma falsidade leva um segundo e desmenti-la leva semanas.
  • Distinga opinião de informação e desconfie de quem as mistura sem avisar. Um texto de opinião não deixa de o ser por trazer números.
  • Se citar números de jornalistas assassinados, diga o período: os da ONU vão por biénios e os de outras organizações, por anos.

O calendário de 8 de setembro recolhe o que mais se assinala nesse dia, e o Dia Internacional da Alfabetização partilha data com esta. #DiaInternacionalDoJornalismo

Verificado pela redação de Dia Internacional

Revisto a

Fontes

#DíaInternacionalPeriodismo