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Dia Internacional para Combater a Islamofobia

📅 15 de Março 🏛️ ONU Oficial ONU 📜 A/RES/76/254
15
Março
Data fixa todos os anos
Sim
Oficial ONU
Reconhecido pelas Nações Unidas
Direitos Humanos
Categoria
55 dias nesta categoria

Em 15 de março de 2019, um supremacista branco abriu fogo contra duas mesquitas de Christchurch (Nova Zelândia) e assassinou 51 pessoas que rezavam. Três anos depois, a Assembleia Geral da ONU escolheu essa mesma data para o Dia Internacional para Combater a Islamofobia, uma efeméride dedicada a recordar as vítimas e a prevenir o ódio e a discriminação contra as pessoas muçulmanas.

O dado
51 pessoas assassinadas
Nos atentados de Christchurch de 15 de março de 2019, um atacante de extrema-direita matou 51 fiéis e feriu outras 89 em duas mesquitas durante a oração. A ONU escolheu essa data para a efeméride. Fonte: Comissão Real de Inquérito da Nova Zelândia.

História e origem do Dia

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou esta data a 15 de março de 2022, através da resolução 76/254, aprovada por consenso. A iniciativa foi impulsionada pelo Paquistão em nome da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), que reúne mais de 50 Estados, e contou com o copatrocínio de dezenas de países. O texto sublinha que o terrorismo e o extremismo violento não podem ser associados a nenhuma religião, nacionalidade nem grupo étnico, e apela ao diálogo global por uma cultura de tolerância e paz.

A data não é casual: coincide com o aniversário do massacre de Christchurch, um dos ataques islamofóbicos mais letais da história recente, transmitido em direto pelo seu autor através das redes sociais. Escolher esse dia transforma a efeméride num ato de memória e num aviso para que semelhante violência não volte a repetir-se.

O que é a islamofobia e porque se assinala

A islamofobia é o medo, o preconceito e o ódio em relação ao islão e às pessoas muçulmanas, que se traduz em hostilidade, discriminação e até violência. Pode ir desde insultos e boatos na internet até agressões físicas, exclusão laboral ou ataques a mesquitas e cemitérios. No mundo vivem cerca de 2000 milhões de muçulmanos, quase um quarto da humanidade e a segunda religião mais difundida do planeta, pelo que este ódio afeta comunidades de todos os continentes.

As Nações Unidas recordam que a islamofobia viola direitos fundamentais como a liberdade de religião ou de crença. Por isso existe um Relator Especial da ONU sobre a liberdade de religião ou de crença, encarregado de vigiar e denunciar estas violações perante a comunidade internacional e de recomendar medidas aos Estados.

O dado
1 em cada 2 muçulmanos
Na União Europeia, 1 em cada 2 pessoas muçulmanas sofre discriminação no seu dia a dia; a percentagem subiu de 39% para 47% desde 2016 e agravou-se depois de outubro de 2023. Fonte: Agência dos Direitos Fundamentais da UE (FRA).

Um problema que cresce também perto de casa

A islamofobia não é um fenómeno distante. Em Portugal, a falta de dados oficiais dificulta medir a dimensão do problema, mas vários relatórios internacionais documentam discursos e incidentes islamofóbicos e perceções negativas em relação às comunidades muçulmanas. As mulheres que usam hijab estão entre as vítimas mais frequentes, por serem identificáveis de imediato. No conjunto da Europa, as agressões e ameaças contra comunidades muçulmanas aumentaram com força a partir de outubro de 2023.

No Brasil, onde vive uma comunidade muçulmana histórica, um estudo da Universidade de São Paulo revelou que a maioria dos inquiridos percebeu um aumento do preconceito após outubro de 2023: cerca de 78% das mulheres e 55% dos homens notaram mais islamofobia, e muitos relataram ter sofrido algum tipo de violência. As muçulmanas que usam véu são as principais visadas.

Como se vive a data no mundo

Em cada 15 de março, a ONU organiza eventos de alto nível e a sua Aliança de Civilizações promove encontros sobre tolerância religiosa. Governos, universidades e entidades muçulmanas convocam jornadas educativas, mesas de diálogo inter-religioso e campanhas para desmontar estereótipos. Muitas mesquitas abrem as portas à vizinhança para dar a conhecer a sua comunidade e construir pontes com quem não a conhece.

Como contribuir

  • Informar-se sobre o islão a partir de fontes fiáveis e rejeitar os boatos que circulam nas redes.
  • Denunciar os discursos e crimes de ódio às autoridades ou aos serviços especializados do seu país.
  • Apoiar as vítimas e as entidades que defendem a convivência e a liberdade religiosa.
  • Cuidar da linguagem: não generalizar nem associar toda uma comunidade a atos isolados.
  • Promover o conhecimento mútuo na escola, no trabalho e no bairro.

Combater a islamofobia não significa abdicar do espírito crítico, mas defender que nenhuma pessoa seja agredida ou discriminada pela sua fé. Como recorda a ONU, o respeito pela diversidade religiosa é um pilar da convivência e dos direitos humanos.

O 15 de março é uma data para recordar as vítimas, ouvir as comunidades muçulmanas e renovar o compromisso contra todas as formas de ódio. #DiaContraAIslamofobia

Verificado pela redação de Dia Internacional

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Fontes

#DíaInternacionalCombatirIslamofobia