Quando uma mulher perde o marido, em muitos lugares do mundo não enfrenta apenas o luto: de repente pode perder também a sua casa, as suas terras, os seus rendimentos e até o seu lugar na comunidade. Para milhões de viúvas, a perda abre a porta à pobreza e à exclusão. Para tornar visível essa realidade invisível e defender os seus direitos, comemora-se a cada 23 de junho o Dia Internacional das Viúvas, reconhecido pelas Nações Unidas.
História e origem do Dia Internacional das Viúvas
O dia tem uma história profundamente pessoal. A 23 de junho de 1954, na Índia, Pushpa Wati Loomba ficou viúva aos 37 anos e teve de criar sozinha os seus sete filhos, numa sociedade que frequentemente condenava as viúvas ao silêncio e à pobreza. Décadas depois, o seu filho Raj canalizou essa memória criando no Reino Unido a Fundação Loomba, dedicada a apoiar outras mulheres na mesma situação.
A fundação, presidida por Cherie Blair, organizou o primeiro Dia das Viúvas em 2005. O impulso cresceu até que, a 21 de dezembro de 2010, a Assembleia Geral da ONU o adotou oficialmente através da resolução A/RES/65/189, fixando o 23 de junho em memória daquela data. A primeira celebração como dia internacional foi em 2011.
Porque se comemora este dia?
Porque a viuvez, em muitas partes do mundo, acarreta uma dupla pena: a do luto e a da perda de direitos. Em numerosos países, as viúvas são despojadas da sua habitação ou das suas terras pela família do marido, ficam excluídas da herança, ou são submetidas a rituais humilhantes e ao estigma social. Muitas vezes carecem de acesso a pensões, trabalho ou segurança social.
A situação agrava-se especialmente em contextos de conflito armado, onde o número de viúvas dispara e a sua vulnerabilidade é máxima. A jornada procura que estas mulheres deixem de ser invisíveis para as políticas públicas.
O que se pode fazer
As organizações que trabalham com viúvas coincidem nas soluções: aconselhamento jurídico gratuito, programas de formação profissional, acesso a pensões e inclusão nos planos sociais. Mas também algo mais difícil de legislar: desafiar as normas culturais que sustentam o estigma, e integrar as viúvas nos processos de reconstrução após os conflitos, como participantes de pleno direito.
Como contribuir
- Informa-te: conhecer a magnitude do problema é o primeiro passo para combater a sua invisibilidade.
- Apoia as organizações: entidades como a Fundação Loomba oferecem ajuda legal, económica e emocional.
- Desafia o estigma: questionar as ideias que marginalizam as viúvas também é uma forma de ajudar.
- Divulga a mensagem: partilha a efeméride com o hashtag #DiaInternacionalDasViúvas.
O Dia Internacional das Viúvas lembra-nos que nenhuma mulher deveria perder os seus direitos juntamente com o seu companheiro, e que a dignidade não se herda: garante-se.
#DiaInternacionalDasViúvas