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Dia Internacional do Chocolate

📅 13 de Setembro
13
Setembro
Data fixa todos os anos
Não
Oficial ONU
Celebração internacional
Alimentação
Categoria
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O Dia Internacional do Chocolate assinala-se a 13 de setembro. O cacau cresce perto do equador, e o grosso do fornecimento mundial sai da África Ocidental. Essa concentração explica o que vem a seguir.

O dado
58 % do cacau mundial
A parte do cacau mundial que o Gana e a Costa do Marfim produziram entre 2022 e 2023, segundo a UNCTAD (em inglês). Dois países concentram mais de metade da produção, e o que acontece nessa zona sente-se no preço em todo o mundo.

História e origem da data

Circulam duas datas do chocolate: esta, a 13 de setembro, e outra em julho. Nenhuma das duas consta entre os dias internacionais que as Nações Unidas proclamam.

O curioso aparece quando se procura quem proclamou a de 13 de setembro. Circula a versão de que assinala o nascimento de um fabricante norte-americano e de que partiu da indústria dos doces.

Nenhuma das fontes que foi possível consultar o documenta. A associação norte-americana de fabricantes de doçaria bloqueou o acesso ao seu site. E o arquivo histórico da Hershey devolveu um texto sobre o Titanic em vez da ficha que dedica ao seu fundador. O que se encontra são calendários de efemérides que se copiam uns aos outros.

Porque subiu tanto o chocolate

O preço do cacau subiu 136 % entre julho de 2022 e fevereiro de 2024, segundo uma nota da UNCTAD sobre a subida do chocolate e o clima, de março de 2024. A tonelada passou os 10.000 dólares no mercado de futuros a 26 de março de 2024, pela primeira vez.

A causa que esse organismo põe à frente é o clima. O fenómeno El Niño trouxe mais calor e mudou a distribuição das chuvas, e o cacau é sensível às duas coisas.

O excesso de chuva no Gana e na Costa do Marfim no último trimestre de 2023 disparou o vírus do inchaço dos rebentos do cacaueiro (cacao swollen shoot virus). E também a podridão-parda (black pod disease), uma afeção que apodrece e endurece o fruto. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) esperava para a campanha de 2023-2024 um défice mundial de cerca de 374.000 toneladas, contra as 74.000 da anterior, segundo a mesma nota (em inglês).

Na África Ocidental a UNCTAD fala de milhares de pequenos produtores afetados, com as colheitas a cair por causa das ondas de calor, das chuvas intensas e de outros riscos climáticos.

O dado
A partir dos cinco anos
A idade a partir da qual se estimou que trabalhavam milhões de crianças no cacau da Costa do Marfim e do Gana, muitas vezes em condições perigosas. A NORC, da Universidade de Chicago, publicou em 2020 o seu exame do trabalho infantil do cacau nesses dois países (em inglês), e apresenta-o como o maior exame feito até então.

Como se vive em Portugal e no Brasil

O que a Balança Alimentar do INE mede em Portugal não é chocolate: é uma categoria que junta café, cacau e chocolate, com o café lá dentro. Essas disponibilidades diárias passaram de 25,1 gramas por habitante em 2015-2019 para 29,3 em 2020-2024, mais 16,7 %, segundo a Balança Alimentar Portuguesa do INE, de outubro de 2025. Mede a oferta, não o consumo.

O Brasil está no outro extremo da cadeia: produziu 297.509 toneladas de cacau em amêndoa em 2024, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE. E lá dentro há um braço de ferro.

A Bahia esteve à frente do Pará durante os primeiros quarenta e três anos da série. Em 2017 o Pará ultrapassou-a pela primeira vez desde que o IBGE publica o dado, em 1974. Desde então o primeiro lugar troca de mãos: a Bahia voltou à frente em 2018 e em 2023.

Produção de cacau em amêndoa dos dois estados que lideraram a produção brasileira em 2024, em toneladas, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE.
AnoParáBahia
201059.537148.254
2017116.358106.246
2024137.455137.028

Em 2024 o Pará ficou à frente por 427 toneladas, com 46 % da colheita nacional cada um. Quem move o marcador é o Pará, que cresceu 131 % nesses catorze anos enquanto a Bahia cedia 7,6 %.

O que convém desmontar

A primeira crença é que por trás da data está um organismo internacional. A data não consta na lista de dias internacionais das Nações Unidas, e não se localizou resolução, instituição proclamante nem documento fundador.

A segunda é que o chocolate encareceu porque tudo encareceu. O que disparou foi o grão. A UNCTAD atribui essa subida do cacau ao clima, e a ICCO esperava um défice de cerca de 374.000 toneladas para a campanha de 2023-2024.

A terceira é que os problemas do cacau ficam longe de quem o come. O Gana e a Costa do Marfim produziram mais de metade do cacau mundial, e são os dois países onde se estimou que trabalhavam milhões de crianças, algumas a partir dos cinco anos. O estudo foi publicado em 2020 pela NORC, da Universidade de Chicago, para o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, com os governos dos dois países, a World Cocoa Foundation e organizações da sociedade civil. É o assunto de que trata o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil.

O que podes fazer hoje

  • Olha de onde vem o grão. O número do rótulo diz quanto cacau leva. De onde saiu di-lo a origem; pelas condições em que foi colhido responde, quando muito, uma certificação.
  • Procura chocolate feito no país produtor. Não é o mesmo exportar grão que exportar tablete: o segundo deixa na origem o trabalho de o transformar.
  • Quando vires o preço subir, lembra-te da colheita. Por trás da subida há colheitas quebradas pelas ondas de calor, pelas chuvas intensas e por outros riscos do clima.

O Dia Internacional do Café conta a mesma assimetria com outra cultura. O calendário de 13 de setembro reúne o que mais se assinala nesse dia.

#DiaInternacionalDoChocolate

Verificado pela redação de Dia Internacional

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