Todas as manhãs o mundo acorda com o mesmo gesto: estima-se que se servem mais de 2.000 milhões de chávenas de café por dia em todo o planeta. Por trás desse ritual quotidiano estão cerca de 125 milhões de pessoas que vivem do cultivo do grão. A 1 de outubro celebra-se o Dia Internacional do Café, uma efeméride que a Assembleia Geral da ONU adotou oficialmente em 2026 para reconhecer o peso económico, social e cultural de uma das bebidas mais queridas da história.
História e origem do Dia Internacional do Café
A primeira edição oficial foi organizada pela Organização Internacional do Café (OIC) a 1 de outubro de 2015 em Milão, coincidindo com o arranque do ano cafeeiro. Uma década depois, em março de 2026, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução que consagra a efeméride no calendário mundial. A proposta foi impulsionada pelo Brasil em conjunto com um grupo de 18 países e recebeu o copatrocínio de 97 Estados-membros, prova do alcance global do cultivo.
A história do café é muito mais antiga. A lenda situa a sua descoberta na Etiópia, com um pastor chamado Kaldi que reparou como as suas cabras ficavam cheias de energia depois de comer uns frutos vermelhos. Dali passou ao Iémen, espalhou-se pelo mundo árabe e chegou à Europa no século XVII, onde os cafés se tornaram focos de tertúlia, negócio e política.
Porque se celebra?
Porque por trás de cada chávena há uma enorme e muitas vezes frágil cadeia humana. A maioria do café mundial é produzido por pequenos agricultores familiares muito expostos à volatilidade dos preços e, cada vez mais, às alterações climáticas: a subida das temperaturas e as secas ameaçam as zonas onde cresce o arábica de qualidade. O dia procura valorizar esse trabalho, promover um comércio mais justo e sustentável, e lembrar que a sustentabilidade do setor começa no campo.
Arábica e robusta: o que está dentro da tua chávena
Quase todo o café que bebemos vem de duas espécies. O arábica, mais aromático, suave e ácido, cresce em altitude e concentra a produção de qualidade da América Latina. O robusta, mais amargo, resistente e com mais cafeína, domina na Ásia e em África e é a base de muitos espressos e solúveis. Entre a colheita do fruto e a tua chávena passam o despolpamento, a secagem, a torra e a moagem: cada passo influencia o sabor final. Por isso dois cafés da mesma origem podem saber por completo diferentes consoante o tratamento.
Como se vive em Portugal e no Brasil
Em Portugal o café é quase uma instituição: a bica ao balcão, o galão do pequeno-almoço ou o café depois da refeição fazem parte do dia a dia, e o país está entre os que mais consomem por habitante na Europa, com cerca de 59.000 toneladas por ano. O gesto de tomar um café ao balcão, rápido e barato, é um traço cultural bem português. No Brasil, o vínculo é duplo: é cultura e é também sustento. Maior produtor do mundo, o país tem no cafezinho um símbolo de hospitalidade e no grão uma fonte de trabalho para milhões de famílias rurais.
Como celebrar o Dia Internacional do Café
- Prova um café de origem única e compara arábica e robusta.
- Escolhe marcas com selos de comércio justo ou sustentabilidade certificada.
- Apoia os cafés locais e os pequenos torrefatores da tua zona.
- Aprende a preparar café em casa com métodos como a prensa francesa ou o filtro.
- Partilha a tua chávena com #DiaInternacionalDoCafé.
O café é muito mais do que um estimulante: é economia, cultura e o trabalho diário de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo. O Dia Internacional do Café convida-nos a saborear com consciência e a lembrar que, por trás de cada golo, há uma longa cadeia que merece ser cuidada.
#DiaInternacionalDoCafé
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