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Dia das Madrastas

📅 9 de Junho Hoje
9
Junho
Data fixa todos os anos
Não
Oficial ONU
Celebração internacional
Sociedade
Categoria
32 dias nesta categoria

Há um papel dentro de muitas famílias que quase não se consegue pronunciar sem que alguém faça uma careta. Um papel que milhares de mulheres desempenham todos os dias —cuidando, acompanhando, estabelecendo limites, estando presentes— mas cujo nome arrasta séculos de contos infantis com vilã à mistura. Para reivindicar esse papel e lhe retirar o estigma, celebra-se a 9 de junho o Dia das Madrastas.

O dado

O que não se nomeia, não existe

A ideia que deu origem a este dia é simples e poderosa: poder dizer "sou madrasta" sem pedir desculpa. Perante o "não és a mãe dela" ou "és como uma amiga", o 9 de junho reivindica um nome próprio para um laço familiar real e cada vez mais frequente.

História e origem do Dia das Madrastas

Ao contrário de muitas efemérides deste calendário, o Dia das Madrastas não nasce das Nações Unidas nem de um grande organismo internacional, mas de uma iniciativa social surgida em Espanha. Foi impulsionado pela plataforma Ser Madrastra, criada por duas mulheres que são elas próprias madrastas, e que por volta de 2020 decidiram fixar uma data própria para dar voz a estas mulheres e derrubar o tabu que rodeia a palavra.

A escolha do 9 de junho não foi casual. Em países anglo-saxónicos existe há décadas um "Stepmother's Day" celebrado no domingo seguinte ao Dia da Mãe. Essa colocação —sempre depois, sempre em relação à mãe— perpetua precisamente a hierarquia que muitas madrastas querem deixar para trás. A proposta busca uma data independente, que não defina a madrasta por comparação com ninguém, mas por si mesma.

Porque se celebra o Dia das Madrastas?

Porque a família mudou muito mais depressa do que as palavras que usamos para a descrever. As famílias reconstituídas —aquelas em que um ou ambos os membros do casal trazem filhos de relações anteriores— são já uma realidade quotidiana, mas continuam sem um reflexo claro na linguagem nem nas estatísticas oficiais.

O estigma tem consequências concretas: muitas madrastas descrevem o desconforto de não saber como se apresentar na escola ou no médico, e a sensação de ficarem relegadas para a sombra da família. Reconhecer o papel não procura competir com as mães, mas sim ordenar os laços para que as crianças não carreguem conflitos de lealdade.

O dado

Uma realidade que cresce

Em Portugal celebram-se mais de 20.000 divórcios por ano, muitos deles envolvendo filhos. Cada uma dessas ruturas pode dar lugar, com o tempo, a uma nova família reconstituída —e, com ela, à figura da madrasta ou do padrasto, que as estatísticas oficiais ainda não contabilizam.

Como se vive em Portugal e no Brasil

No mundo de língua portuguesa fala-se de madrasta e de família reconstituída, e convivem o mesmo carinho e o mesmo estigma herdado dos contos. Em Portugal, a data vai ganhando espaço nas redes sociais, onde madrastas partilham as suas experiências. No Brasil, onde o conceito de família ensamblada está muito difundido, a efeméride encontra eco entre quem reivindica estes laços como válidos por si mesmos.

Como participar

  • Nomeia o laço: usar a palavra "madrasta" sem medo é o primeiro passo para a esvaziar da carga negativa.
  • Reconhece o cuidado: por trás de muitas famílias há madrastas a sustentar o afeto e o dia a dia sem reconhecimento.
  • Evita a competição: valorizar a madrasta não retira nada à mãe; as crianças ganham quando os adultos cooperam.
  • Partilha a efeméride: dar visibilidade ao dia ajuda mais famílias a sentirem-se representadas.

O Dia das Madrastas lembra-nos que as famílias de hoje já não cabem nos moldes de antes, e que cada laço que cuida merece um nome que se possa pronunciar sem pedir desculpa.