A cultura popular transformou-as em vilãs de conto de fadas, mas milhões de mulheres desempenham esse papel com carinho e sem receber qualquer reconhecimento. O Dia das Madrastas celebra-se no domingo seguinte ao Dia da Mãe para reconhecer quem cria, acompanha e ama filhos que não deu à luz. É uma data nascida para reparar uma injustiça: a de ter pintado sempre a madrasta como a má da fita.
História e origem do Dia das Madrastas
O dia tem uma origem comovente e muito concreta. Foi criado no ano 2000 por uma menina de nove anos da Pensilvânia, Lizzie Capuzzi, que queria um dia especial para homenagear a sua madrasta, Joyce, tal como existia o Dia da Mãe. Lizzie e Joyce escreveram uma carta ao senador Rick Santorum, que a 11 de julho de 2000 interveio no Senado para reconhecer a iniciativa e a figura das madrastas. Esse discurso ficou registado no Congressional Record, e a data foi fixada no domingo a seguir ao Dia da Mãe para dar às madrastas o seu próprio espaço.
Porque se celebra?
Porque criar os filhos de outra pessoa é uma das tarefas mais difíceis e menos reconhecidas que existem. A madrasta costuma entrar em cena num momento delicado, carregando o peso de séculos de má reputação: da Branca de Neve à Cinderela, o conto clássico precisava de uma vilã e quase sempre calhou a ela. A realidade é o contrário: a maioria das madrastas investe tempo, dinheiro e afeto sem ocupar o lugar de ninguém, construindo um vínculo do zero e muitas vezes no meio de tensões familiares. Este dia reivindica esse trabalho silencioso.
Nem malvada nem substituta: o verdadeiro desafio da madrasta
A psicologia familiar descreve a reconstituição como um dos processos mais complexos da vida a dois. A madrasta não substitui a mãe biológica nem o deve tentar; o seu papel mais saudável é o de uma figura adulta de referência que acrescenta sem competir. Os especialistas insistem em três chaves: não forçar o afeto, respeitar os tempos da criança e deixar que a autoridade se construa aos poucos. Os primeiros anos costumam ser os mais difíceis, com lealdades divididas e culpas cruzadas, mas com paciência muitas famílias recompostas acabam por tecer laços tão fortes como os de sangue. Os especialistas lembram que a criança não tem de escolher entre a sua mãe e a sua madrasta: pode gostar das duas, cada uma no seu lugar, sem que esse afeto tire nada ao outro. Reconhecê-lo é também desmontar o estigma do conto e aliviar a culpa que muitas madrastas carregam quando sentem que nunca fazem o suficiente.
Como se vive em Portugal e no Brasil
No mundo lusófono o Dia das Madrastas é ainda pouco conhecido, mas o fenómeno cresce sem parar. O aumento dos divórcios e das segundas relações multiplicou as famílias reconstituídas em Portugal e no Brasil, onde a palavra madrasta ainda arrasta uma carga negativa que muitas preferem evitar. Cada vez mais famílias falam simplesmente da companheira do pai ou do companheiro da mãe, procuram a mediação familiar para resolver conflitos de convivência e reivindicam um reconhecimento legal que costuma andar atrás da realidade social. Muitas vezes, as madrastas não têm qualquer direito nem dever reconhecido sobre crianças com quem convivem todos os dias, uma lacuna que complica desde ir buscar um menor à escola até acompanhá-lo numa urgência médica.
Como celebrar este dia
- Agradece à tua madrasta com um gesto sincero: uma chamada, uma carta ou um tempo juntos.
- Se és madrasta, não te exijas ocupar o lugar de ninguém: acrescenta a partir do teu próprio papel.
- Evita repetir o estereótipo da madrasta malvada à frente das crianças.
- Procura apoio ou mediação familiar se a convivência gerar tensões.
- Partilha a data com #DiaDasMadrastas e dá visibilidade às famílias reconstituídas.
Amar um filho que não é teu por sangue e sustentá-lo todos os dias é uma forma silenciosa de amor. O Dia das Madrastas existe para o lembrar e para devolver a estas mulheres o lugar que os contos lhes roubaram.
#DiaDasMadrastas
Verificado pela redação de Dia Internacional
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