Pela primeira vez na história, vivem mais pessoas nas cidades do que no campo. A 31 de outubro celebra-se o Dia Mundial das Cidades, estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas através da resolução 68/239 e coordenado pela ONU-Habitat, para repensar como queremos que sejam os lugares onde já vive a maioria da humanidade. O lema resume a ambição: «Melhor cidade, melhor vida».
História e origem do Dia Mundial das Cidades
O dia foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas através da resolução 68/239, no final de 2013, e celebrou-se pela primeira vez a 31 de outubro de 2014. É coordenado pela ONU-Habitat, a agência das Nações Unidas para os assentamentos humanos, e encerra o chamado «Outubro Urbano», um mês de iniciativas dedicadas aos desafios das cidades. Dois anos depois, em 2016, a conferência Habitat III realizada em Quito aprovou a Nova Agenda Urbana, o roteiro mundial para um desenvolvimento urbano sustentável.
Porque se celebra?
Porque o futuro da humanidade joga-se, em grande medida, nas cidades. Nelas concentram-se as oportunidades (emprego, educação, serviços, cultura) mas também os grandes desafios do século: a habitação inacessível, a poluição, o congestionamento, a desigualdade e a vulnerabilidade perante as alterações climáticas. O dia procura que governos, urbanistas e cidadãos pensem em conjunto como tornar as cidades mais habitáveis, inclusivas e sustentáveis. Boa parte desse crescimento, aliás, ocorrerá na Ásia e em África, onde surgirão em poucas décadas centenas de novas cidades. Decidir hoje como se constroem (com transporte público, habitação digna e espaços verdes, ou de forma caótica e desigual) vai marcar a qualidade de vida de milhares de milhões de pessoas.
Menos de 2 % do solo, 80 % da economia
As cidades são motores desproporcionados. Ocupam menos de 2 % da superfície terrestre, mas geram cerca de 80 % do PIB mundial e são responsáveis por mais de 70 % das emissões de carbono. Essa concentração torna-as, ao mesmo tempo, o problema e a solução: é nas cidades que se vai decidir se ganhamos a batalha climática. Daí a força de conceitos como a «cidade dos 15 minutos», a pedonalização, o transporte público limpo, os telhados verdes ou a economia circular, que procuram reduzir essa pegada sem abdicar da vida urbana. A outra grande frente é a adaptação ao clima: as cidades sofrem o efeito «ilha de calor», que as torna vários graus mais quentes do que a sua envolvente, e são especialmente vulneráveis às cheias e às ondas de calor. Recuperar o arvoredo, renaturalizar os rios e criar mais sombra tornaram-se questões de saúde pública, e não apenas de estética urbana.
Como se vive em Portugal e no Brasil
Em Portugal, cidades como Lisboa, Porto e Guimarães apostam em zonas de emissões reduzidas, ciclovias, transporte público e reabilitação dos centros históricos, enquanto a habitação acessível se tornou o grande debate urbano do país. No Brasil, com metrópoles gigantescas, iniciativas como os sistemas de autocarro rápido de Curitiba, a urbanização de favelas ou os programas de habitação social mostram como o país procura responder ao crescimento acelerado e à desigualdade das suas cidades. Não é um debate menor: no Brasil, milhões de pessoas vivem em assentamentos informais sem acesso pleno a água, saneamento ou transporte, e a sua integração é um dos grandes desafios urbanos das próximas décadas.
Como participar
- Desloca-te de forma sustentável: caminha, pedala ou usa o transporte público sempre que puderes.
- Participa nos orçamentos participativos e nas consultas urbanísticas do teu município.
- Cuida do espaço público e das zonas verdes do teu bairro.
- Apoia o pequeno comércio de proximidade em vez das deslocações longas.
- Informa-te sobre o plano urbano da tua cidade e exige que seja inclusivo e sustentável.
- Partilha a tua visão de cidade com #DiaMundialDasCidades.
As cidades são a maior invenção coletiva da humanidade e, ao mesmo tempo, o seu maior desafio por resolver. O Dia Mundial das Cidades lembra-nos que o seu futuro não está escrito: depende das decisões que tomarmos hoje sobre como vivemos, nos deslocamos e convivemos. Uma cidade melhor é possível, e começa em cada bairro.
#DiaMundialDasCidades
Verificado pela redação de Dia Internacional
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