Partilham corpo, órgãos e, muitas vezes, uma vida inteira entrelaçada. Nascem uma vez a cada muitas dezenas de milhares de partos e a sua história combina a fragilidade médica com uma capacidade de superação extraordinária. A 24 de novembro celebra-se o Dia Mundial dos Gémeos Unidos, uma data muito recente proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas para dar visibilidade, respeito e apoio a estas pessoas e às suas famílias.
História e origem do Dia
É uma das comemorações mais recentes do calendário da ONU. A Assembleia Geral aprovou a resolução A/RES/78/313 a 1 de julho de 2024 e proclamou o 24 de novembro como Dia Mundial dos Gémeos Unidos, celebrado pela primeira vez nesse mesmo ano. A iniciativa partiu da Arábia Saudita, em conjunto com o Barém, Marrocos, Catar e Iémen, países com um longo historial na cirurgia de separação. O objetivo declarado é duplo: informar sobre as complexidades médicas e sociais desta condição e reconhecer a coragem e a dignidade de quem a vive.
Porque se celebra?
Porque durante séculos os gémeos unidos foram tratados como uma curiosidade de feira em vez de como doentes e pessoas. A data procura mudar esse olhar: substituir o mórbido pela compreensão. Os gémeos unidos formam-se quando um único óvulo fecundado não chega a dividir-se por completo nas primeiras semanas da gravidez, de modo que os dois bebés ficam fisicamente ligados e, com frequência, partilham órgãos. É uma situação de enorme complexidade médica, em que cada caso é único e exige equipas multidisciplinares.
Chang e Eng, a origem da palavra «siameses»
O termo popular «siameses» nasceu de uma história real. Chang e Eng Bunker nasceram em 1811 no reino de Sião, a atual Tailândia, unidos pelo esterno e com os fígados fundidos. Percorreram o mundo em exibições e, com o tempo, fixaram-se nos Estados Unidos, onde casaram, tiveram famílias numerosas e viveram até 1874. Nunca quiseram separar-se: a medicina da sua época não o permitia sem um risco mortal. A sua origem deu nome a uma condição que hoje os médicos preferem chamar, com mais precisão e respeito, «gémeos unidos».
Quantos tipos de gémeos unidos existem
Nem todos os casos são iguais: os médicos classificam-nos conforme o ponto em que estão unidos. Os mais frequentes são os toracópagos, ligados pelo peito e que muitas vezes partilham o coração, seguidos dos onfalópagos, unidos pelo abdómen. Existem ainda os craniópagos, unidos pela cabeça, entre os casos mais complexos de operar. Essa diversidade explica por que motivo cada separação é um desafio único: o prognóstico depende de que órgãos são partilhados e de se é possível dividi-los sem pôr em risco a vida de ambos. A decisão de operar coloca, além disso, dilemas éticos que se estudam caso a caso.
Como se vive hoje
Os avanços na cirurgia, no diagnóstico por imagem e nos cuidados intensivos transformaram o prognóstico destas crianças. Ainda assim, a realidade continua dura: a taxa de nados-mortos estima-se em cerca de 60 %, e nem todos os casos podem ser separados. Muitos pares de gémeos unidos que não são operados levam vidas plenas e autónomas, estudam, trabalham e formam família, e alguns opõem-se ativamente à separação por não quererem perder o laço que os define desde o nascimento. No Brasil, hospitais de referência têm realizado separações complexas acompanhadas com enorme atenção mediática, e em Portugal o tema é seguido com o mesmo interesse, prova de quanto a medicina evoluiu.
Como participar
- Informa-te e ajuda a acabar com o estigma: são pessoas, não um espetáculo.
- Apoia as famílias e as associações que acompanham estes casos.
- Reconhece o trabalho das equipas médicas que tornam possíveis as separações.
- Partilha histórias de superação com respeito, sem sensacionalismo.
- Difunde a efeméride com #DiaMundialDosGémeosUnidos.
Por detrás de cada número há duas vidas unidas pelo acaso da biologia e, muitas vezes, por um laço irrepetível. O Dia Mundial dos Gémeos Unidos convida-nos a olhá-los com a dignidade e a admiração que merecem.
#DiaMundialDosGémeosUnidos
Verificado pela redação de Dia Internacional
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