Durante séculos foi a única forma de encurtar a distância entre duas pessoas: uma carta que viajava semanas ou meses para levar uma notícia, um contrato ou uma declaração de amor. Esse sistema que hoje tomamos como garantido assenta num acordo internacional assinado há mais de 150 anos. A cada 9 de outubro celebra-se o Dia Mundial do Correio, a data com que a União Postal Universal (UPU) assinala a sua própria fundação e o direito de qualquer pessoa a comunicar com o resto do mundo.
História e origem do Dia Mundial do Correio
A data remete para o 9 de outubro de 1874, quando 22 países assinaram em Berna, a capital suíça, o Tratado de Berna que criou a então chamada União Geral dos Correios, rebatizada pouco depois como União Postal Universal. Foi um salto histórico: até aí cada país negociava tarifas e rotas em separado, um labirinto que tornava o envio internacional lento e caro. A UPU unificou as regras e estabeleceu que cada nação tratasse o correio estrangeiro como o próprio.
O Dia Mundial do Correio enquanto tal foi proclamado quase um século depois, no Congresso da UPU realizado em Tóquio em 1969. Desde 1948, além disso, a organização é uma agência especializada das Nações Unidas, a segunda instituição internacional mais antiga do mundo depois da União Internacional das Telecomunicações.
Porque se celebra?
Porque o correio continua a ser muito mais do que cartas. Em plena era digital, a rede postal reinventou-se como coluna vertebral do comércio eletrónico: entrega encomendas, aproxima serviços financeiros básicos de zonas rurais sem banco e faz chegar documentos oficiais, medicamentos ou pensões onde quase nada mais chega. O dia reivindica esse papel de serviço público universal e presta homenagem aos milhões de carteiros e trabalhadores postais que o sustentam.
Do selo de um pêni ao código QR
A revolução postal começou em 1840 no Reino Unido com o Penny Black, o primeiro selo da história: pela primeira vez pagava o remetente e não o destinatário, e o correio tornou-se barato e massivo. Daí até hoje a mudança foi vertiginosa. O correio físico convive agora com o seguimento em tempo real, os cacifos inteligentes e os selos com código QR. A UPU trabalha ainda na modernização dos endereços postais em países onde milhões de pessoas ainda não têm uma morada formal, um obstáculo silencioso ao acesso a serviços básicos. A tendência de fundo é clara: enquanto o envio de cartas tradicionais cai de forma sustentada em quase todo o mundo, o volume de encomendas ligado às compras pela internet não para de crescer, e com ele reinventa-se o ofício do carteiro, que hoje distribui tanto envelopes como caixas.
Como se vive em Portugal e no Brasil
Em Portugal, os CTT aproveitam a data para lançar emissões filatélicas especiais e atividades de divulgação sobre a sua longa história, que remonta a 1520 e faz dos Correios portugueses um dos serviços públicos mais antigos do país. No Brasil, os Correios assinalam a data com mostras filatélicas, ações educativas nas escolas e homenagens aos carteiros, numa rede que chega a praticamente todos os municípios de um país de dimensão continental e mantém um forte valor de coesão territorial.
Como participar
- Escreve uma carta à mão a alguém de quem gostas: na era da mensagem instantânea, surpreende como poucas coisas.
- Visita uma exposição filatélica ou descobre a história postal do teu país.
- Agradece ao teu carteiro o trabalho que faz chova ou faça sol.
- Reutiliza e recicla as embalagens do comércio eletrónico que recebes pelo correio.
- Partilha a efeméride com #DiaMundialDoCorreio.
Num mundo hiperligado, o correio lembra-nos que algumas ligações precisam de tempo, papel e mãos que distribuem. O Dia Mundial do Correio celebra uma rede de 150 anos que continua a fazer o mesmo que no primeiro dia: aproximar as pessoas.
#DiaMundialDoCorreio
Verificado pela redação de Dia Internacional
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