O campo alimenta o mundo, mas é também onde se concentra boa parte da sua pobreza. A 6 de julho celebra-se o Dia Mundial do Desenvolvimento Rural, proclamado pela Assembleia Geral da ONU para colocar o foco nas zonas rurais: as que produzem a nossa comida e, ao mesmo tempo, as que mais ficam para trás.
História e origem do Dia Mundial do Desenvolvimento Rural
É uma efeméride recente. A Assembleia Geral da ONU adotou por consenso a resolução A/RES/78/326 a 6 de setembro de 2024, e a primeira observância celebrou-se a 6 de julho de 2025. A iniciativa, impulsionada por um grupo de países liderado pelo Bangladesh, procura colocar o desenvolvimento rural no centro da Agenda 2030.
Não deve confundir-se com o Dia Internacional das Mulheres Rurais (15 de outubro), uma efeméride distinta e anterior. Este dia abrange todo o mundo rural: agricultura, serviços, infraestruturas e oportunidades.
Porque se celebra?
Porque existe um paradoxo difícil de ignorar: as zonas rurais produzem a maior parte dos alimentos, mas acumulam a maior parte da pobreza extrema. Sem escolas, saúde, internet ou emprego, os jovens partem e o campo esvazia-se. Investir no rural é investir em segurança alimentar e em equilíbrio territorial.
O interior e o desafio rural
Em Portugal, o desafio é a desertificação do interior. Entre 2011 e 2021 o país perdeu população pela primeira vez desde 1970, e foram os municípios do interior os que mais perderam (concelhos como Penamacor ou Idanha-a-Nova caíram a dois dígitos). Metade dos residentes concentra-se em poucas dezenas de concelhos do litoral. No Brasil, convivem o agronegócio exportador e a agricultura familiar: esta última representa 77% dos estabelecimentos agrícolas, segundo o Censo de 2017 do IBGE.
Como se vive no mundo
O dia serve para apresentar políticas de desenvolvimento rural, dar voz a agricultores e comunidades e reclamar investimento em infraestruturas e digitalização. Em muitos países organizam-se jornadas, feiras agrícolas e encontros sobre renovação geracional. A mensagem é comum: não há futuro sustentável sem um mundo rural vivo.
O campo, motor de emprego e de futuro
O mundo rural não produz apenas comida: também dá trabalho a uma parte enorme da humanidade. Os sistemas agroalimentares empregam cerca de 1.300 milhões de pessoas em todo o planeta, segundo a FAO. Mas esse motor arrasta um fosso digital e de serviços: em 2024, enquanto 83% da população urbana usava internet, no meio rural não chegava a metade. Sem conectividade, saúde nem renovação geracional, muitas aldeias enfrentam um ponto de não retorno. Por isso as políticas de desenvolvimento rural já não falam só de colheitas, mas de fibra ótica, telemedicina, habitação e oportunidades para que as pessoas possam ficar.
Como participar no Dia Mundial do Desenvolvimento Rural
- Consome produtos locais e da época: apoias diretamente o campo.
- Conhece iniciativas da tua zona contra a desertificação.
- Divulga o trabalho de agricultores e pequenas explorações familiares.
- Valoriza o turismo rural responsável como forma de fixar população.
- Partilha a efeméride com #DesenvolvimentoRural.
O campo não é o passado, mas uma peça-chave do futuro: produz os nossos alimentos, cuida do território e guarda boa parte da cultura. O Dia Mundial do Desenvolvimento Rural lembra que o seu equilíbrio nos diz respeito a todos, vivamos onde vivermos.
#DesenvolvimentoRural