Um sismo não avisa. Não há época, não há previsão e, até hoje, não existe qualquer técnica capaz de prever quando ocorrerá o próximo. Por isso o Dia Internacional em Memória das Vítimas dos Sismos, observado a 29 de abril por decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas, tem duas faces inseparáveis: recordar quem morreu e reduzir o número de quem vai morrer. É uma data recente e sóbria, sem celebração possível, resumida num lema coordenado pelo gabinete da ONU para a redução do risco de catástrofes: recordar, proteger e construir resiliência.
História e origem do dia
É uma das observâncias mais recentes do calendário internacional. A Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução A/RES/79/285 a 29 de abril de 2025, e a primeira comemoração decorreu um ano depois, a 29 de abril de 2026. A iniciativa foi impulsionada por três países que conhecem bem o assunto: Usbequistão, Chile e Filipinas, com o apoio de mais de oitenta Estados. O impulso político nasceu no Usbequistão, cuja capital, Tashkent, ficou devastada por um sismo a 26 de abril de 1966. A resolução convida os Estados membros e as organizações internacionais a colaborar na comemoração, e situa o dia na órbita do Quadro de Sendai para a redução do risco de catástrofes.
Porque se recorda?
Porque o sismo é a catástrofe que melhor distingue os países. A mesma magnitude produz um susto num sítio e uma tragédia noutro, e a diferença não está na geologia: está nas normas de construção, na fiscalização, no planeamento urbano e em saber se alguém as faz cumprir. As Nações Unidas colocam a questão sem rodeios: os impactos dos sismos são graves, mas em boa medida evitáveis. Recordar as vítimas sem retirar essa conclusão seria uma cerimónia vazia. O dia existe precisamente para unir as duas coisas: a memória e a obrigação de nos prepararmos.
O que mata não é o sismo, são os edifícios
Convém perceber porque a magnitude engana. A escala mede a energia libertada, mas o dano depende de outros fatores: a profundidade do foco, o tipo de solo, a distância ao epicentro, a hora do dia e, sobretudo, o que está construído por cima. Um exemplo ibérico ilustra-o melhor do que qualquer teoria. A 11 de maio de 2011, Lorca, no sudeste de Espanha, sofreu um sismo de magnitude 5,1, um valor modesto que em muitas partes do mundo mal se nota. Deixou 9 mortos, mais de 300 feridos e cerca de 462 milhões de euros em perdas diretas. A razão? O seu hipocentro estava a apenas um quilómetro de profundidade, mesmo por baixo da cidade, e boa parte do edificado era anterior às normas antissísmicas modernas. Um sismo pequeno e superficial debaixo de edifícios frágeis faz mais estragos do que um enorme longe das pessoas. É essa a lição inteira, e é a que a prevenção tenta aplicar.
Como se recorda no mundo
Sendo uma data nova, cada país está ainda a definir a sua forma de a assinalar. Predominam os atos de memória pelas vítimas, os simulacros de evacuação em escolas e hospitais, e as sessões técnicas sobre normas de construção. Portugal tem aqui uma dívida histórica e uma herança notável: depois de 1755, o Marquês de Pombal mandou enviar às paróquias do reino um inquérito a perguntar quanto tempo durou o abalo, em que direção se moveu o solo e o que aconteceu aos poços e aos animais. Aquelas respostas, recolhidas de forma sistemática, são consideradas o começo da sismologia moderna. No Brasil, longe das margens das placas, o risco sísmico é baixo mas não nulo, e a data serve sobretudo para apoiar a cooperação internacional.
Como contribuir
- Descubra se a sua zona tem risco sísmico e se o seu edifício foi construído com norma antissísmica.
- Aprenda o protocolo básico: baixar-se, proteger-se e aguardar. Não corra nem saia durante o abalo.
- Fixe à parede estantes, televisores e móveis altos. É barato e evita ferimentos.
- Tenha um plano familiar e uma mochila com água, lanterna, rádio e medicação.
- Participe nos simulacros da escola ou da empresa em vez de os levar na brincadeira.
O 29 de abril não pede um minuto de silêncio e pouco mais. Pede que a memória das vítimas se traduza em paredes mais bem construídas, porque da próxima vez o solo voltará a mexer-se sem avisar.
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Verificado pela redação de Dia Internacional
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