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Dia Internacional em Memória das Vítimas dos Sismos

📅 29 de Abril 🏛️ ONU Oficial ONU 📜 A/RES/79/285
29
Abril
Data fixa todos os anos
Sim
Oficial ONU
Reconhecido pelas Nações Unidas
Sociedade
Categoria
39 dias nesta categoria

Um sismo não avisa. Não há época, não há previsão e, até hoje, não existe qualquer técnica capaz de prever quando ocorrerá o próximo. Por isso o Dia Internacional em Memória das Vítimas dos Sismos, observado a 29 de abril por decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas, tem duas faces inseparáveis: recordar quem morreu e reduzir o número de quem vai morrer. É uma data recente e sóbria, sem celebração possível, resumida num lema coordenado pelo gabinete da ONU para a redução do risco de catástrofes: recordar, proteger e construir resiliência.

O dado
12 sismos, mais de 50.000 mortos cada um
Desde 1900 registaram-se pelo menos doze grandes sismos que causaram mais de 50.000 vítimas mortais cada um. Os abalos representam ainda mais de um quarto das perdas mundiais por catástrofes. Fonte: Nações Unidas.

História e origem do dia

É uma das observâncias mais recentes do calendário internacional. A Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução A/RES/79/285 a 29 de abril de 2025, e a primeira comemoração decorreu um ano depois, a 29 de abril de 2026. A iniciativa foi impulsionada por três países que conhecem bem o assunto: Usbequistão, Chile e Filipinas, com o apoio de mais de oitenta Estados. O impulso político nasceu no Usbequistão, cuja capital, Tashkent, ficou devastada por um sismo a 26 de abril de 1966. A resolução convida os Estados membros e as organizações internacionais a colaborar na comemoração, e situa o dia na órbita do Quadro de Sendai para a redução do risco de catástrofes.

Porque se recorda?

Porque o sismo é a catástrofe que melhor distingue os países. A mesma magnitude produz um susto num sítio e uma tragédia noutro, e a diferença não está na geologia: está nas normas de construção, na fiscalização, no planeamento urbano e em saber se alguém as faz cumprir. As Nações Unidas colocam a questão sem rodeios: os impactos dos sismos são graves, mas em boa medida evitáveis. Recordar as vítimas sem retirar essa conclusão seria uma cerimónia vazia. O dia existe precisamente para unir as duas coisas: a memória e a obrigação de nos prepararmos.

O dado
1 de novembro de 1755: o terramoto de Lisboa
No Dia de Todos os Santos, um sismo com magnitude estimada em 7,7 ou superior destruiu Lisboa e foi seguido de incêndios e de um tsunami com cerca de 6 metros na cidade e até 20 metros em Cádis. As estimativas de mortos variam muito entre fontes, apontando dezenas de milhares só em Lisboa.

O que mata não é o sismo, são os edifícios

Convém perceber porque a magnitude engana. A escala mede a energia libertada, mas o dano depende de outros fatores: a profundidade do foco, o tipo de solo, a distância ao epicentro, a hora do dia e, sobretudo, o que está construído por cima. Um exemplo ibérico ilustra-o melhor do que qualquer teoria. A 11 de maio de 2011, Lorca, no sudeste de Espanha, sofreu um sismo de magnitude 5,1, um valor modesto que em muitas partes do mundo mal se nota. Deixou 9 mortos, mais de 300 feridos e cerca de 462 milhões de euros em perdas diretas. A razão? O seu hipocentro estava a apenas um quilómetro de profundidade, mesmo por baixo da cidade, e boa parte do edificado era anterior às normas antissísmicas modernas. Um sismo pequeno e superficial debaixo de edifícios frágeis faz mais estragos do que um enorme longe das pessoas. É essa a lição inteira, e é a que a prevenção tenta aplicar.

Como se recorda no mundo

Sendo uma data nova, cada país está ainda a definir a sua forma de a assinalar. Predominam os atos de memória pelas vítimas, os simulacros de evacuação em escolas e hospitais, e as sessões técnicas sobre normas de construção. Portugal tem aqui uma dívida histórica e uma herança notável: depois de 1755, o Marquês de Pombal mandou enviar às paróquias do reino um inquérito a perguntar quanto tempo durou o abalo, em que direção se moveu o solo e o que aconteceu aos poços e aos animais. Aquelas respostas, recolhidas de forma sistemática, são consideradas o começo da sismologia moderna. No Brasil, longe das margens das placas, o risco sísmico é baixo mas não nulo, e a data serve sobretudo para apoiar a cooperação internacional.

Como contribuir

  • Descubra se a sua zona tem risco sísmico e se o seu edifício foi construído com norma antissísmica.
  • Aprenda o protocolo básico: baixar-se, proteger-se e aguardar. Não corra nem saia durante o abalo.
  • Fixe à parede estantes, televisores e móveis altos. É barato e evita ferimentos.
  • Tenha um plano familiar e uma mochila com água, lanterna, rádio e medicação.
  • Participe nos simulacros da escola ou da empresa em vez de os levar na brincadeira.

O 29 de abril não pede um minuto de silêncio e pouco mais. Pede que a memória das vítimas se traduza em paredes mais bem construídas, porque da próxima vez o solo voltará a mexer-se sem avisar.

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Verificado pela redação de Dia Internacional

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