InícioSociedade › Dia Internacional da Parentalidade Respeitosa

Dia Internacional da Parentalidade Respeitosa

📅 2 de Setembro
2
Setembro
Data fixa todos os anos
Não
Oficial ONU
Celebração internacional
Sociedade
Categoria
39 dias nesta categoria

Seis em cada dez crianças com menos de cinco anos sofrem habitualmente castigo físico ou agressão psicológica dentro de casa. O dado é da UNICEF e corresponde a cerca de 400 milhões de crianças em todo o mundo. O Dia Internacional da Parentalidade Respeitosa celebra-se a 2 de setembro e o seu propósito é simples de enunciar e difícil de aplicar: educar sem violência, impondo limites.

O dado
400 milhões
Crianças com menos de cinco anos ( 6 em cada 10 dessa idade no mundo ) recebem habitualmente castigo corporal ou maus-tratos psicológicos em casa, segundo dados publicados pela UNICEF em 2024. Destas, cerca de 330 milhões são castigadas por meios físicos.

História e origem da data

Convém ser honesto com esta efeméride: não é respaldada por uma resolução internacional nem por um organismo com décadas de percurso. É uma data recente, impulsionada a partir do mundo da parentalidade e da divulgação, e a sua implantação é ainda desigual. O seu valor não está na instituição que a proclama, mas no assunto de que fala.

E esse assunto tem respaldo sólido. A Convenção sobre os Direitos da Criança e os comités que a desenvolvem sustentam há anos que nenhuma forma de castigo corporal é compatível com os direitos da infância, por mais leve que seja e por mais educativa que se considere a intenção.

O que é exatamente a parentalidade respeitosa

É uma abordagem que substitui o castigo pelo acompanhamento, sem abdicar dos limites. Assenta em dois pilares: a evidência sobre o vínculo entre o adulto e a criança, e a evidência acumulada sobre os efeitos do castigo físico, associado a mais agressividade, mais problemas de saúde mental e pior relação com quem o aplica, sem melhorar o comportamento a médio prazo.

Na prática traduz-se em coisas concretas: nomear a emoção antes de corrigir o comportamento, explicar o motivo da regra, oferecer alternativas em vez de ordens secas e sustentar o limite sem gritos nem ameaças. Não é um método fechado, mas um critério.

O dado
66 países
Proibiram por lei o castigo corporal à infância, e mais de metade fê-lo nos últimos quinze anos. Ainda assim, cerca de 500 milhões de crianças com menos de cinco anos continuam sem proteção jurídica suficiente, e pouco mais de 1 em cada 4 cuidadores principais considera que o castigo físico é necessário para educar.

O que convém desmontar

O equívoco mais espalhado, e o que mais trava quem se aproxima disto, é confundi-la com permissividade. Não é. Criar sem violência não significa criar sem regras: significa que a regra se sustenta com explicação e presença em vez de com medo. Uma casa sem limites não é respeitosa com ninguém, muito menos com a criança, que precisa de saber onde está a fronteira.

O segundo é o argumento da própria biografia, aquele a mim bateram-me e não me aconteceu nada. É compreensível e quase nunca é útil: os estudos populacionais não medem trajetórias individuais, medem probabilidades, e a probabilidade de dano aumenta. Que alguém tenha saído ileso não torna a prática inócua.

Como se vive em Portugal e no Brasil

Em Portugal o castigo corporal a crianças não tem cobertura legal, e a discussão pública deslocou-se há muito da lei para a prática quotidiana, com um papel relevante das consultas de saúde infantil e das comissões de proteção de crianças e jovens. O que a lei não resolve sozinha é a crença herdada de que uma palmada a tempo educa.

No Brasil, a Lei 13.010 de 2014, conhecida como Lei Menino Bernardo, alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente para proibir expressamente o castigo físico e o tratamento cruel ou degradante. Na América Latina no seu conjunto, porém, cerca de 64 % das crianças com menos de quinze anos sofre regularmente alguma forma de disciplina violenta, e quase uma em cada duas recebe castigo físico.

Como participar a 2 de setembro

  • Troque uma ordem por uma explicação por dia: não é preciso reformar a criação inteira para começar.
  • Nomeie a emoção antes de corrigir: reconhecer a zanga não valida o comportamento, desativa-o.
  • Peça ajuda se estiver a transbordar: pediatria, serviços sociais e grupos de pais existem para isso.
  • Reveja o exemplo, não apenas o discurso: os gritos entre adultos ensinam tanto como as regras.
  • Evite julgar outras famílias em público: a culpa não muda comportamentos, o apoio muda.

Que 1 em cada 4 cuidadores continue a acreditar que bater educa explica por que razão proibir não bastou. O 2 de setembro não interpela a lei, que em boa parte do mundo já está escrita: interpela o costume. #DiaDaParentalidadeRespeitosa

Verificado pela redação de Dia Internacional

Revisto a