Num mundo saturado de dados, um terço da humanidade continua sem conseguir ligar-se à internet nem aceder à informação básica que decide o seu futuro. A 24 de outubro celebra-se o Dia Mundial de Informação sobre o Desenvolvimento, a efeméride que as Nações Unidas instituíram para chamar a atenção para os problemas do desenvolvimento e para a necessidade de reforçar a cooperação internacional que os resolva.
História e origem do Dia Mundial de Informação sobre o Desenvolvimento
A efeméride nasceu em 1972, quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução 3038 (XXVII) para dar visibilidade aos problemas do desenvolvimento e mobilizar a opinião pública, em especial a juventude. A Assembleia decidiu que a data coincidisse com o Dia das Nações Unidas, a 24 de outubro, a mesma data em que, em 1970, tinha sido aprovada a Estratégia Internacional do Desenvolvimento para a Segunda Década das Nações Unidas.
A lógica era clara: informar melhor sobre as desigualdades do planeta era o primeiro passo para gerar a vontade política e cívica necessária para as corrigir.
Porque se celebra?
Porque o desenvolvimento não se decide apenas com dinheiro, mas com informação e consciência. Sem dados fiáveis não há boas políticas; sem cidadãos informados não há pressão para as exigir. Meio século depois da sua criação, a data mantém intacto o seu sentido: hoje o acesso à informação passa pela internet e pelas tecnologias digitais, e quem fica de fora dessa rede fica também de fora da educação, do emprego e dos serviços que definem as oportunidades.
Da informação em papel à clivagem digital
Quando esta data nasceu, «informação sobre o desenvolvimento» significava folhetos, rádio e campanhas para que a opinião pública conhecesse a fome ou o analfabetismo do então chamado Terceiro Mundo. Meio século depois, o cenário mudou por completo: a informação flui à velocidade da fibra ótica, mas de forma desigual. A clivagem digital já não separa apenas quem tem computador de quem não tem, mas quem acede a uma ligação rápida, acessível e com as competências para a usar face a quem fica de fora. Essa fenda cruza-se com todas as outras: a de género, a do campo face à cidade e a dos países ricos face aos pobres. Informar sobre o desenvolvimento hoje é, sobretudo, lutar por ligar quem ninguém liga.
E há uma reviravolta inesperada: o excesso de informação pode desinformar tanto como a sua ausência. Na era das redes, as falsidades e a propaganda viajam mais depressa do que os dados verificados, e milhões de pessoas tomam decisões sobre a sua saúde, o seu voto ou o seu dinheiro a partir de mentiras. Por isso a data soma hoje uma segunda batalha à da conectividade: a da literacia mediática, ou seja, ensinar a distinguir uma fonte fiável de um boato. Aceder à rede já não basta; é preciso saber navegá-la com critério.
Como se vive em Portugal e no Brasil
Em Portugal e na Europa, o dia liga-se ao debate sobre a clivagem digital interna: o interior com pior cobertura, os idosos excluídos de serviços que só existem online e a literacia mediática face à desinformação. No Brasil, a data ganha um sentido mais urgente: milhões de pessoas em zonas rurais e na Amazónia continuam sem ligação estável, e organizações e governos impulsionam projetos de conectividade comunitária e de educação digital como alavanca de desenvolvimento e de acesso aos serviços públicos.
Como participar
- Informa-te sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e partilha dados rigorosos.
- Combate a desinformação: verifica antes de divulgar.
- Ajuda alguém à tua volta a dar os primeiros passos digitais.
- Apoia projetos de cooperação e de conectividade para comunidades isoladas.
- Divulga a data com #DiaDeInformaçãoSobreODesenvolvimento.
Nenhum problema se resolve enquanto permanece invisível. O Dia Mundial de Informação sobre o Desenvolvimento lembra que informar é o primeiro ato de justiça: quem conhece as desigualdades do mundo está um passo mais perto de ajudar a mudá-las.
#DiaDeInformaçãoSobreODesenvolvimento
Verificado pela redação de Dia Internacional
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