Imagina quatro campos de futebol de terra fértil a transformarem-se em solo morto. Isso acontece a cada segundo nalgum lugar do planeta. A desertificação avança em silêncio, roubando-nos a terra que nos dá de comer. Para travar essa ameaça e mobilizar o mundo, celebra-se a cada 17 de junho o Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca, proclamado pelas Nações Unidas.
História e origem do Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca
O problema foi identificado como um dos grandes desafios ambientais durante a Cimeira da Terra do Rio de Janeiro, em 1992. Dois anos mais tarde, em 1994, foi aprovada a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), o único acordo internacional juridicamente vinculativo que liga o ambiente ao desenvolvimento e à gestão sustentável da terra.
Nesse mesmo ano, a Assembleia Geral da ONU proclamou o 17 de junho como dia mundial, através da resolução A/RES/49/115. A data comemora a adoção da Convenção e tornou-se desde então o ponto de encontro anual para abordar a degradação da terra.
Porque se celebra o Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca?
Porque a terra é um recurso que dávamos como infinito e não é. A desertificação já não afeta apenas os desertos: alcança também áreas florestais e húmidas. As suas causas são a desflorestação, o pastoreio excessivo, as práticas agrícolas insustentáveis e, cada vez mais, as alterações climáticas.
E o impacto é humano, não apenas ambiental: a perda de terra fértil agrava a fome, força migrações e arruína economias rurais inteiras. Uma terra saudável fornece-nos cerca de 95 % dos alimentos que comemos.
Como se vive no mundo
A desertificação atinge com especial dureza certas regiões. No mundo lusófono, Portugal é um dos países europeus mais vulneráveis: vastas zonas do interior e do Alentejo enfrentam risco de desertificação pela seca e pela pressão agrícola. No Brasil, a desertificação afeta a região semiárida do Nordeste, e países africanos de língua portuguesa como Cabo Verde ou Angola convivem com a aridez de forma estrutural.
Soluções que existem
A boa notícia é que a degradação pode ser revertida. Mais de 130 países comprometeram-se a neutralizar a degradação da terra até 2030, com a meta de restaurar 1.000 milhões de hectares. E é rentável: cada dólar investido na recuperação de terras pode gerar até 30 dólares em benefícios.
Como participar
- Poupa água: um consumo responsável reduz a pressão sobre os solos e aquíferos.
- Consome local e da época: apoia uma agricultura mais sustentável e de proximidade.
- Participa em reflorestações: restaurar solo e vegetação trava o avanço do deserto.
- Divulga a mensagem: partilha a efeméride com o hashtag #DiaMundialDesertificação.
O Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca lembra-nos que o solo sob os nossos pés não é um recurso eterno, mas um legado que decidimos, todos os dias, conservar ou perder.
#DiaMundialDesertificação