Palavras como "safari" ou "Hakuna matata" vêm dela, ainda que poucos o saibam. A 7 de julho celebra-se o Dia Mundial da Língua Kiswahili, proclamado pela UNESCO para honrar a língua africana mais falada e uma cultura que une milhões de pessoas em todo o continente.
História e origem do Dia Mundial da Língua Kiswahili
A UNESCO proclamou esta efeméride na sua 41.ª Conferência Geral, em 2021, através da resolução 41 C/61. A primeira observância celebrou-se a 7 de julho de 2022, e em 2024 a Assembleia Geral da ONU ratificou-a com a resolução A/RES/78/312.
A data tem um forte simbolismo: a 7 de julho de 1954, o partido TANU, liderado por Julius Nyerere, futuro primeiro presidente da Tanzânia, adotou o kiswahili como língua unificadora da luta pela independência.
Porque se celebra?
Porque é um marco histórico: o kiswahili é a primeira língua africana com um dia internacional próprio reconhecido pela UNESCO e pela ONU. Num continente com milhares de idiomas e um passado colonial que impôs os europeus, reivindicar uma língua africana é reivindicar identidade, unidade e orgulho cultural.
O que é o kiswahili
O kiswahili é uma língua banta nascida na costa da África Oriental, fruto de séculos de contacto comercial entre povos africanos, árabes e, mais tarde, europeus. Hoje é a língua franca da África Oriental e Central: fala-se na Tanzânia, no Quénia, no Uganda, no Ruanda ou na República Democrática do Congo, entre outros, como ponte entre comunidades de línguas muito diferentes.
Como se vive no mundo
O dia celebra-se com festivais culturais, concertos, recitais de poesia, conferências e atividades em escolas e universidades, sobretudo na África Oriental. Para o público de língua portuguesa, é uma janela para a riqueza linguística africana: o kiswahili partilha espaço regional com países lusófonos como Moçambique e Angola, membros da SADC. Aprender alguns dos seus termos é também uma forma de valorizar a diversidade do continente africano e os laços históricos que unem as suas muitas culturas.
Uma língua de comércio, mar e união
O kiswahili nasceu nas rotas comerciais do oceano Índico. Durante séculos, mercadores africanos, árabes, persas e indianos trocaram mercadorias — e palavras — na costa suaíli, da Somália a Moçambique. Daí o seu vocabulário mestiço, com uma base banta e numerosos empréstimos do árabe. Hoje essa herança torna-o uma língua-ponte, sem um único "dono" nacional, o que faz com que tantos povos a sintam como sua. Em 2022, a União Africana adotou-o como língua de trabalho oficial, e cada vez mais universidades do mundo o ensinam. A ONU usa-o ainda nas suas emissões de rádio para África, sinal do seu peso real para além do continente.
Como participar no Dia Mundial da Língua Kiswahili
- Aprende algumas palavras: "jambo" (olá), "asante" (obrigado), "karibu" (bem-vindo).
- Ouve música ou vê cinema em kiswahili para te aproximares do seu som.
- Descobre a história da unidade pan-africana ligada a esta língua.
- Partilha a riqueza linguística de África com quem te rodeia.
- Divulga a efeméride com #LínguaKiswahili.
Para além dos números, o Dia Mundial da Língua Kiswahili celebra uma ideia poderosa: que uma língua pode unir centenas de milhões de pessoas sem apagar a sua diversidade. Um lembrete do valor de cada idioma do planeta.
#LínguaKiswahili