É uma das doenças mais silenciosas e, ao mesmo tempo, uma das que mais cresce no mundo: avança durante anos sem dar a cara e, quando o faz, já lesou olhos, rins, nervos ou coração. A 14 de novembro assinala-se o Dia Mundial da Diabetes, a maior campanha de sensibilização sobre esta doença, impulsionada pela Federação Internacional da Diabetes (FID) e pela OMS, e reconhecida oficialmente pela ONU em 2006. A data não é ao acaso: honra o nascimento de quem mudou para sempre a história da doença.
História e origem do Dia Mundial da Diabetes
O 14 de novembro é o aniversário do nascimento, em 1891, de Frederick Banting, o médico canadiano que, com Charles Best, descobriu a insulina em 1922. Aquela descoberta transformou uma sentença de morte numa doença tratável: até então, um diagnóstico de diabetes tipo 1 significava, quase sempre, morrer em poucos meses. Banting recebeu o Prémio Nobel e decidiu não patentear a insulina, para que fosse acessível a todos.
A efeméride nasceu em 1991, criada pela FID e pela OMS perante o aumento imparável de casos. Em 2006, a Assembleia Geral da ONU reconheceu-a com a resolução 61/225, tornando-a um dia oficial das Nações Unidas. O seu símbolo, um círculo azul, representa a unidade da comunidade diabética frente à doença.
Porque se celebra?
Porque a diabetes é uma epidemia silenciosa e, em grande parte, evitável. Existem dois tipos principais: a tipo 1, autoimune, que não se pode prevenir; e a tipo 2, que representa mais de 90 % dos casos e está ligada ao excesso de peso, ao sedentarismo e à má alimentação. Esta última pode ser prevenida ou adiada com hábitos saudáveis. O problema é o diagnóstico tardio: muitas pessoas convivem anos com níveis elevados de açúcar sem o saber, até surgirem as complicações. E essas complicações são graves: a diabetes é uma das principais causas de cegueira, insuficiência renal, enfarte, AVC e amputações dos membros inferiores. Todos os anos provoca cerca de 1,6 milhões de mortes no mundo, e quase metade delas afeta pessoas com menos de 70 anos.
Como detetar a diabetes a tempo
Conhecer os sinais pode antecipar anos o diagnóstico. Os sintomas clássicos são sede intensa, vontade frequente de urinar, cansaço, perda de peso sem motivo, visão turva e feridas que demoram a sarar. O problema é que, na diabetes tipo 2, podem ser tão ligeiros que passam despercebidos. Por isso importam os rastreios: uma simples análise de glicemia ou de hemoglobina glicada permite detetá-la antes de causar danos. Os especialistas recomendam avaliações periódicas a partir dos 45 anos, ou mais cedo se houver antecedentes familiares ou obesidade. Existe ainda a diabetes gestacional, que surge durante a gravidez e costuma desaparecer após o parto, mas que aumenta o risco de desenvolver tipo 2 no futuro, tanto na mãe como no bebé. Por isso o controlo durante a gestação é outra peça-chave da prevenção.
Como se vive em Portugal e no Brasil
Em Portugal, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) e a Sociedade Portuguesa de Diabetologia promovem rastreios gratuitos de glicemia, iluminam monumentos de azul e divulgam campanhas de prevenção. A dieta mediterrânica é aqui um aliado natural contra a tipo 2. No Brasil, onde o consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas cresceu com força, a Sociedade Brasileira de Diabetes e o SUS mobilizam campanhas de deteção precoce e educação alimentar.
Como participar e prevenir
- Mexe-te: pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana.
- Cuida do prato: menos açúcar, bebidas açucaradas e ultraprocessados.
- Faz uma análise de glicemia se tiveres fatores de risco.
- Mantém um peso saudável e não fumes.
- Acompanha quem vive com diabetes: o apoio também trata.
- Junta-te com #DiaMundialDaDiabetes e o círculo azul.
A insulina de Banting salvou milhões de vidas há um século, mas a maior batalha de hoje trava-se na prevenção e no diagnóstico a tempo. O Dia Mundial da Diabetes lembra que por trás desses 830 milhões há pessoas com nome, e que muitos casos de tipo 2 poderiam ser evitados. Conhecer a doença é o primeiro passo para a travar.
#DiaMundialDaDiabetes
Verificado pela redação de Dia Internacional
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