Quase tudo o que tens em casa viajou por mar em algum momento. Na última quinta-feira de setembro celebra-se o Dia Marítimo Mundial, impulsionado pela Organização Marítima Internacional (OMI), agência da ONU, para reconhecer o setor que sustenta, em silêncio, o comércio do planeta.
História e origem do Dia Marítimo Mundial
A OMI celebra este dia desde o final dos anos setenta para assinalar a entrada em vigor, em 1958, da convenção que criou a organização. A sua missão: que a navegação seja segura, eficiente e respeitadora do ambiente. Todos os anos a OMI escolhe um lema que marca a agenda do setor, da descarbonização à segurança da gente do mar.
Porque se celebra?
Porque o mar move o mundo e quase não o vemos. Sem navios não haveria supermercados cheios, nem fábricas com matérias-primas, nem grande parte do comércio que damos por garantido. O transporte marítimo é, além disso, o mais eficiente por tonelada transportada, embora enfrente o desafio de reduzir as suas emissões. O dia dá visibilidade a um setor estratégico e a quem o torna possível.
Heróis invisíveis: a gente do mar
Por trás de cada contentor há tripulações que passam meses embarcadas, a cruzar oceanos em qualquer condição. A pandemia deixou centenas de milhares de marinheiros retidos nos seus navios sem poder desembarcar, e então o mundo percebeu de repente o quanto dependemos deles. Melhorar as suas condições de trabalho, a sua segurança e o seu bem-estar é uma das grandes batalhas pendentes do setor.
Um setor essencial no mundo lusófono
O mar é essencial para os países de língua portuguesa. Portugal, nação de navegadores, tem em Sines o seu grande porto de águas profundas, que em 2024 bateu o recorde de contentores. E o Brasil alberga o porto de Santos, o maior da América Latina, que em 2024 ultrapassou pela primeira vez os cinco milhões de contentores. O Atlântico continua a unir, como há séculos, toda a lusofonia.
Uma potência portuária também em Espanha
Do outro lado da Península, Espanha é uma potência portuária: Valência e Algeciras estão entre os cinco maiores portos de contentores da Europa. Com milhares de quilómetros de costa e uma longa história ligada ao mar, o marítimo faz parte da identidade e da economia ibéricas, tal como em boa parte da América Latina.
O grande desafio verde do setor
O transporte marítimo é muito eficiente, mas move tanta carga que gera cerca de 3% das emissões mundiais de CO2, um valor comparável ao de um país grande. Por isso a OMI traçou o rumo para as zero emissões líquidas por volta de 2050, uma transição enorme: implica trocar o fuelóleo por combustíveis alternativos como o amoníaco, o metanol verde ou o hidrogénio, além de navios mais eficientes e até velas de nova geração. É um dos maiores desafios industriais do século, porque descarbonizar milhares de navios que cruzam o planeta não se faz de um dia para o outro. O Dia Marítimo Mundial dedica muitas vezes o seu lema a este desafio, lembrando que o comércio do futuro terá de ser também limpo.
Como participar no Dia Marítimo Mundial
- Pensa na origem do que consomes: quase tudo cruzou um oceano.
- Conhece o trabalho da gente do mar e reconhece o seu papel essencial.
- Visita um porto, um museu marítimo ou um farol da tua zona.
- Informa-te sobre o desafio de descarbonizar o transporte marítimo.
- Partilha a efeméride com #DiaMarítimoMundial.
O mar é a maior autoestrada do planeta, ainda que não a vejamos. O Dia Marítimo Mundial convida-nos a olhar para o horizonte e a reconhecer quem, navio a navio, mantém o mundo em movimento.
#DiaMarítimoMundial