Cada 8 de março, milhões de pessoas saem às ruas para reivindicar os direitos das mulheres. O Dia Internacional da Mulher não é uma celebração — é uma comemoração. E a diferença importa.
A origem: uma marcha de 15.000 mulheres em Nova Iorque
A 8 de março de 1908, cerca de 15.000 mulheres marcharam pelas ruas de Nova Iorque. Não pediam flores nem felicitações. Pediam jornadas mais curtas, salários dignos e direito ao voto. Em 1910, Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher na Conferência Internacional de Mulheres Trabalhadoras em Copenhaga. Mais de 100 delegadas de 17 países aprovaram por unanimidade.
O primeiro Dia Internacional da Mulher celebrou-se a 19 de março de 1911 na Alemanha, Áustria, Dinamarca e Suíça, com mais de um milhão de pessoas nas ruas. As Nações Unidas proclamaram-no oficialmente em 1977.
Por que o 8 de março?
A data fixou-se em 1917. As mulheres russas, fartas da fome e da guerra, declararam-se em greve sob o lema "pão e paz". Era o último domingo de fevereiro no calendário juliano — 8 de março no gregoriano. Quatro dias depois, o Czar abdicou. O que começou como protesto contra a fome acabou com um império.
Os números que explicam por que continua a ser necessário
Segundo a ONU Mulheres:
- As mulheres ganham em média 20% menos do que os homens a nível mundial.
- Apenas 26,7% dos assentos parlamentares no mundo são ocupados por mulheres.
- 736 milhões de mulheres sofreram violência física ou sexual pelo menos uma vez — quase 1 em cada 3.
- As mulheres realizam 3 vezes mais trabalho doméstico não remunerado.
Como se celebra em diferentes países
Em Espanha, o 8M tornou-se uma das mobilizações mais massivas do ano. No México, o movimento feminista cresceu com o "Un día sin nosotras". Em Itália é tradição oferecer mimosas. Na Rússia celebra-se como mistura de Dia da Mãe e São Valentim. No Brasil, as marchas do 8M ganham cada vez mais força, com manifestações massivas em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Como participar?
- Informe-se: O Global Gender Gap Report e os relatórios da ONU Mulheres publicam dados atualizados cada ano.
- Apoie organizações locais: Abrigos, redes de apoio, programas de mentoria feminina.
- Questione o seu ambiente: Há igualdade salarial na sua empresa? As perguntas incómodas geram mudanças reais.
- Dê visibilidade: Partilhe histórias de mulheres que fizeram a diferença.