Sustentaram famílias, lideraram lutas e enriqueceram a cultura de meio mundo, muitas vezes a partir da dupla discriminação de ser mulheres e ser negras. A 25 de julho celebra-se o Dia Internacional das Mulheres e Meninas Afrodescendentes, proclamado pela ONU para reconhecer o seu contributo e combater as desigualdades que ainda enfrentam.
História e origem do Dia
A Assembleia Geral da ONU proclamou esta efeméride na resolução 78/323, adotada por consenso a 13 de agosto de 2024, numa iniciativa impulsionada por países latino-americanos como a Colômbia e o Brasil. Mas a data vinha de muito antes.
O 25 de julho foi escolhido em memória do Primeiro Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, realizado em Santo Domingo em 1992. Dali nasceu a Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas, Afro-Caribenhas e da Diáspora, que há mais de três décadas celebrava este dia. A ONU veio reconhecer uma luta que já existia.
Porque se celebra?
Porque as mulheres afrodescendentes sofrem uma desigualdade que se multiplica: ao fosso de género soma-se o racial. O dia torna-as visíveis não apenas como vítimas de discriminação, mas como protagonistas da mudança. Enquadra-se ainda no Segundo Decénio Internacional dos Afrodescendentes (2025-2034), centrado no reconhecimento, na justiça e no desenvolvimento.
O Brasil, o coração da diáspora
Nenhum país reflete melhor esta realidade do que o Brasil. Segundo o censo de 2022 do IBGE, 55,5% da população declara-se preta ou parda: pela primeira vez desde 1872, as pessoas negras são maioria. O Brasil acolhe a maior população negra fora de África. Figuras como a vice-presidente colombiana Francia Márquez simbolizam o crescente protagonismo político das mulheres afrodescendentes na região.
A invisibilidade estatística na Europa
Em Portugal e em boa parte da Europa, os censos não recolhem a variável étnico-racial, o que torna invisíveis as comunidades afrodescendentes nas estatísticas. Essa falta de dados, reconhecida pela própria ONU, é em si mesma uma barreira: aquilo que não se mede dificilmente se corrige.
Uma herança que transformou o mundo
Para além das desigualdades, este dia celebra um legado imenso. A cultura afrodescendente está na raiz de boa parte da música que move o planeta: do samba e do candombe ao funk, ao jazz ou ao hip hop. As mulheres negras foram pilares dessas tradições, transmissoras de saberes, líderes comunitárias e guardiãs da memória. Nas últimas décadas, a sua voz ganhou espaço na política, na academia, na literatura e no ativismo, demonstrando que o reconhecimento que esta efeméride reivindica não é um favor, mas a reparação de uma dívida histórica para com quem tanto contribuiu.
Como participar no Dia
- Conhece a história e a cultura afrodescendente do teu país e da região.
- Ouve e amplifica as vozes de mulheres afrodescendentes.
- Rejeita o racismo e o sexismo no teu dia a dia.
- Apoia iniciativas que reclamam dados desagregados e igualdade de oportunidades.
- Partilha com respeito usando #MulheresAfrodescendentes.
Reconhecer não é um gesto vazio: é o primeiro passo para a justiça. O Dia Internacional das Mulheres e Meninas Afrodescendentes celebra a sua força e o seu contributo, e reivindica um futuro em que a igualdade deixe de ser uma promessa por cumprir, mas uma realidade para todas elas.
#MulheresAfrodescendentes