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Dia Internacional da Tolerância Zero com a Mutilação Genital Feminina

📅 6 de Fevereiro 🏛️ ONU Oficial ONU 📜 A/RES/67/146
6
Fevereiro
Data fixa todos os anos
Sim
Oficial ONU
Reconhecido pelas Nações Unidas
Direitos Humanos
Categoria
53 dias nesta categoria

É uma prática que não traz qualquer benefício e causa um dano para toda a vida, e ainda assim foi sofrida por centenas de milhões de mulheres. A 6 de fevereiro assinala-se o Dia Internacional da Tolerância Zero com a Mutilação Genital Feminina, proclamado pela ONU para erradicar uma grave violação dos direitos humanos.

O dado
Mais de 230 milhões de vítimas
Mais de 230 milhões de raparigas e mulheres vivas hoje sofreram mutilação genital feminina, 30 milhões (15%) mais do que na estimativa de 2016. A maioria foi sujeita antes dos 15 anos. (UNICEF, 2024)

O que é e porque se assinala?

A mutilação genital feminina (MGF) abrange todos os procedimentos que danificam ou alteram os órgãos genitais femininos sem razão médica. Não tem qualquer benefício para a saúde: provoca dor, hemorragias, infeções e sequelas físicas e psicológicas para toda a vida. A ONU considera-a uma forma extrema de discriminação e violência contra mulheres e raparigas, profundamente ligada à desigualdade de género.

História e origem do Dia

A Assembleia Geral da ONU adotou em 2012 a resolução 67/146, que designou o 6 de fevereiro. Desde 2008, o UNFPA e o UNICEF lideram o maior programa mundial para eliminar esta prática, trabalhando com comunidades, líderes religiosos e governos para a mudar a partir de dentro, e não impondo-a de fora.

O dado
27 vezes mais rápido
Para erradicar a MGF em 2030, como marca a Agenda de Desenvolvimento Sustentável, o ritmo de descida teria de ser 27 vezes mais rápido do que o atual. O progresso existe, mas é demasiado lento. (UNICEF / ONU, 2024)

Uma prática evitável, não uma tradição intocável

A MGF concentra-se em cerca de trinta países de África, Ásia e Médio Oriente, onde muitas vezes se justifica por pressão social ou crenças erradas. Mas não é inevitável: onde as comunidades receberam informação e as mulheres ganharam voz, a prática recua. O abandono coletivo e voluntário, e não a imposição, é o que realmente funciona. Cada rapariga protegida é uma vitória concreta.

A realidade em Portugal e Espanha

O fenómeno também chega à Europa com a migração, ainda que de forma marginal. Em Portugal, os serviços de saúde detetaram 254 casos em 2024, todos em mulheres que já tinham sofrido a MGF antes de migrar: nenhum foi praticado em território português. Em Espanha, mais de 3.600 raparigas são consideradas em risco e existem protocolos sanitários e educativos de prevenção. O desafio é prevenir, não estigmatizar nenhuma comunidade.

Um dano que dura toda a vida

A MGF não é um ato isolado: as suas consequências acompanham a mulher durante décadas. A curto prazo provoca dor intensa, hemorragias e infeções graves, e nos casos mais extremos a morte. A longo prazo deixa complicações no parto que põem em risco a mãe e o bebé, dor crónica, problemas urinários e profundas sequelas psicológicas, como ansiedade, depressão ou stress pós-traumático. Por isso a Organização Mundial da Saúde considera-a, além de uma violação dos direitos humanos, um problema de saúde pública de primeira ordem. A resposta não pode ser apenas legal: é preciso cuidar das sobreviventes, médica e psicologicamente, e acompanhá-las sem as julgar. Países de acolhimento como Espanha começaram a incorporar esse atendimento especializado nos seus sistemas de saúde, reconhecendo que por trás de cada caso há uma mulher que precisa de cuidado, não de estigma.

Como contribuir

  • Informa-te com rigor e sem preconceitos sobre o que é e onde ocorre.
  • Apoia as organizações que trabalham com as comunidades afetadas.
  • Se trabalhas na saúde ou na educação, conhece os protocolos de prevenção.
  • Fala do tema com respeito, centrando-te nos direitos das raparigas.
  • Divulga a sensibilização com #TolerânciaZeroMGF.

Nenhuma tradição justifica o dano a uma criança. O Dia Internacional da Tolerância Zero com a Mutilação Genital Feminina lembra que proteger a sua integridade e o seu futuro é uma responsabilidade de toda a humanidade, e que a meta — zero casos — é alcançável.

#TolerânciaZeroMGF

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