É o dia em que cemitérios de meio mundo se enchem de flores e de memória. A 1 de novembro celebra-se o Dia de Todos os Santos, uma festividade cristã que honra todos os santos e que, na prática, se tornou a grande jornada para recordar quem já partiu.
História e origem do Dia de Todos os Santos
As suas raízes estão na Igreja católica. No século VIII, o papa Gregório III dedicou uma capela na Basílica de São Pedro a todos os santos, e no século IX o papa Gregório IV estendeu a celebração do 1 de novembro a toda a Igreja. Um dia depois, a 2 de novembro, comemoram-se os Fiéis Defuntos, tradição impulsionada por Odilão de Cluny por volta do ano 998.
Porque se celebra?
Originalmente para honrar todos os santos, incluindo os anónimos. Mas com o tempo, e associada ao Dia dos Fiéis Defuntos, tornou-se a data em que as famílias visitam os seus mortos, limpam as campas e deixam flores. É um dia de luto sereno e também de reencontro familiar: uma forma cultural de manter viva a memória dos entes queridos.
Como se vive em Portugal e no Brasil
Em Portugal pervive o "Pão-por-Deus": a 1 de novembro, as crianças vão de porta em porta pedir bolinhos, frutos secos ou moedas, recitando versos; em Coimbra dizem o "bolinhos, bolinhós". A tradição ganhou força em Lisboa após o terramoto de 1755. No Brasil, o Dia de Finados enche os cemitérios de flores e orações, num dos feriados mais sentidos do calendário.
De Espanha ao México
Em Espanha, o 1 de novembro é feriado nacional: as famílias levam flores aos cemitérios — sobretudo crisântemos — e nos teatros é clássica a peça "Don Juan Tenorio". Do outro lado do Atlântico, poucas celebrações são tão ricas como o Dia dos Mortos do México, com os seus altares e caveiras, reconhecido pela UNESCO. A mesma data, mil formas de recordar.
Do luto à celebração da vida
Honrar os mortos é um dos poucos costumes que todas as civilizações partilham, mas nem todas o fazem com tristeza. O Dia dos Mortos mexicano é o melhor exemplo: longe do recolhimento sombrio, enche-se de cor, comida, música e altares com fotografias, porque entende a morte como uma parte natural da vida e a jornada como um reencontro alegre com quem partiu. Esse olhar contagia: cada vez mais, também em Portugal, no Brasil e em Espanha, o 1 de novembro vive-se não só como luto, mas como celebração da memória e dos laços que o tempo não quebra. Recordar com carinho, e até com um sorriso, é talvez a forma mais saudável de nos despedirmos de quem amamos.
Como viver o Dia de Todos os Santos
- Visita e cuida da campa dos teus entes queridos, ou recorda-os à tua maneira.
- Partilha histórias de quem já partiu com os mais novos da família.
- Descobre como se celebra esta data noutras culturas lusófonas e hispânicas.
- Respeita o sentido íntimo do dia, para além do consumo.
- Partilha uma memória com #DiaDeTodosOsSantos.
Recordar quem nos precedeu não é viver no passado, mas reconhecer de onde vimos. O Dia de Todos os Santos une a fé, a memória e a família numa das tradições mais enraizadas do mundo lusófono e hispânico.
#DiaDeTodosOsSantos