O 1 de maio não é um feriado qualquer. Por trás do dia de descanso há uma história de sangue, bombas e execuções que mudou as condições de trabalho de todo o planeta. O Dia Internacional do Trabalho comemora algo que hoje damos como garantido: que trabalhar 8 horas por dia é suficiente.
Chicago, 1886: a greve que mudou tudo
A 1 de maio de 1886, cerca de 200.000 trabalhadores iniciaram uma greve geral exigindo a jornada de 8 horas. A 3 de maio, a polícia disparou contra grevistas na fábrica McCormick. No dia seguinte, num comício em Haymarket Square, alguém lançou uma bomba. Morreram 7 polícias e um número indeterminado de civis.
Oito líderes sindicais foram presos num julgamento que a imprensa da época reconheceu como farsa. Cinco condenados à morte. Quatro enforcados a 11 de novembro de 1887. São os "mártires de Chicago".
August Spies disse antes de morrer: "Chegará o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que hoje estrangulais".
Os EUA não o celebram a 1 de maio
A grande ironia: a greve que originou o 1 de maio foi nos Estados Unidos, mas o país celebra o Labor Day em setembro para se distanciar das conotações socialistas. Em 1889, a Segunda Internacional proclamou o 1 de maio como jornada operária. Hoje celebra-se em mais de 80 países.
O que o movimento operário conquistou
- A jornada de 8 horas
- O fim de semana
- As férias pagas
- A proibição do trabalho infantil
- O salário mínimo
- O direito à greve e à negociação coletiva
- A segurança social
Os novos debates
A semana de 4 dias está a ser testada na Islândia, Reino Unido e Espanha com resultados promissores. A inteligência artificial coloca a questão de que empregos existirão daqui a 10 anos. A economia das plataformas gera milhões de trabalhadores sem os direitos que os mártires de Chicago morreram para conquistar.