Brincar não é perder tempo: é a forma como as crianças aprendem a compreender o mundo. Embora pareça uma atividade menor, a brincadeira constrói o cérebro, as emoções e os laços sociais de qualquer pessoa. Para defender algo tão essencial e tão ameaçado, as Nações Unidas proclamaram que todos os 11 de junho se celebre o Dia Internacional do Jogo.
História e origem do Dia Internacional do Jogo
É um dos dias internacionais mais recentes. A 25 de março de 2024, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a resolução A/RES/78/268, que designou o 11 de junho como Dia Internacional do Jogo, com o apoio de mais de 140 países. A primeira celebração teve lugar nesse mesmo ano, em junho de 2024, na sede da ONU em Nova Iorque.
A iniciativa foi impulsionada por um grupo central de Estados — Bulgária, El Salvador, Jamaica, Quénia, Luxemburgo e Vietname — junto a uma coligação de organizações como a UNICEF, a Fundação LEGO, a Right To Play e a Save the Children. Mas a sua raiz é muito mais antiga: remonta a 1989, quando a Convenção sobre os Direitos da Criança, no seu Artigo 31, reconheceu pela primeira vez no direito internacional o brincar como um direito fundamental da infância.
Porque se celebra o Dia Internacional do Jogo?
Porque esse direito está a perder-se. A pressão académica, o excesso de ecrãs, a falta de espaços seguros e cidades pouco pensadas para a infância foram cortando o tempo de brincadeira livre, justamente o que mais benefícios traz. E não é um assunto menor: brincar desenvolve competências cognitivas, sociais, emocionais e físicas, fortalece os laços familiares e é um motor de aprendizagem e de saúde mental.
O Dia Internacional do Jogo procura devolvê-lo à agenda: pede a governos, escolas e famílias que garantam tempo para brincar, espaço para brincar e apoio para uma brincadeira de qualidade. A sua mensagem é que brincar não é um prémio que se dá quando sobra tempo, mas uma necessidade tão básica como dormir ou aprender.
O jogo, uma linguagem universal
Como recorda a UNICEF, brincar é "uma linguagem universal falada por pessoas de todas as idades, para além das fronteiras nacionais, culturais e socioeconómicas". É também um sinal de bem-estar: quando uma criança brinca, mesmo no meio da maior dificuldade, é sinal de que se sente segura, cuidada e amada. Por isso o brincar ganha um valor especial em contextos de crise, conflito ou deslocação, onde ajuda as crianças a recuperar uma parte da sua infância.
Como celebrar o Dia Internacional do Jogo
- Brinque com as crianças: dedique tempo real, sem ecrãs, a brincar com os seus filhos ou as crianças à sua volta.
- Reivindique espaços: apoie parques, recreios e zonas de brincadeira seguras na sua comunidade.
- Defenda o recreio: exija que as escolas protejam o tempo de brincadeira como parte da aprendizagem.
- Divulgue a mensagem: partilhe a efeméride com a hashtag #DiaInternacionalDoJogo.
O Dia Internacional do Jogo lembra-nos uma verdade que enquanto adultos esquecemos com facilidade: que brincar é coisa séria, e que proteger o direito a brincar é proteger o desenvolvimento e a felicidade de toda uma geração.