Durante milhares de anos, a humanidade olhou para o céu para medir o tempo. E há dois momentos que quase todas as culturas marcaram como sagrados: os solstícios, quando o Sol parece deter-se antes de mudar o seu rumo. Para reconhecer esse vínculo ancestral entre a humanidade, o Sol e a Terra, celebra-se a cada 21 de junho o Dia Internacional da Celebração do Solstício, proclamado pelas Nações Unidas.
História e origem do Dia Internacional da Celebração do Solstício
Embora as celebrações do solstício sejam milenares, o seu reconhecimento pela ONU é recente: a Assembleia Geral proclamou-o em 2019, através da resolução A/RES/73/300, aprovada por unanimidade. A iniciativa foi impulsionada pela Bolívia, com o apoio do Equador, Peru e Chile, com um objetivo claro: revalorizar as tradições dos povos indígenas ligadas aos ciclos do Sol.
A resolução reconhece que os solstícios e equinócios simbolizam a fertilidade da terra, os sistemas de produção agrícola e o património cultural. A primeira celebração oficial foi a 21 de junho de 2019, e a ONU fez menção expressa ao Willkakuti, o Ano Novo Andino-Amazónico.
Porque se celebra o solstício?
Porque é um dos fios que ligam toda a humanidade ao longo do tempo. Desde Stonehenge no Reino Unido até às pirâmides maias, inúmeras culturas orientaram os seus monumentos para o Sol do solstício. A jornada celebra essa unidade: a ideia de que povos muito distintos, em continentes afastados, olharam para o mesmo céu e encontraram nele um motivo de reflexão e de festa.
Um detalhe importante: enquanto no hemisfério norte o 21 de junho é o solstício de verão, no hemisfério sul —onde nasceu a iniciativa— é o de inverno, e marca o início de um novo ciclo solar e agrícola.
Como se celebra no mundo
As tradições são tão diversas como belas. No mundo lusófono, Portugal vive nestas datas as festas dos Santos Populares —Santo António, São João, São Pedro—, que enchem as ruas de Lisboa e do Porto de arraiais, sardinhas, manjericos e fogueiras. No Brasil, as Festas Juninas são uma das maiores celebrações populares do país, com fogueiras, quadrilhas e comida típica. Em Espanha, a noite de San Juan enche praias e praças de fogueiras. Na América Latina, as culturas andinas celebram o Inti Raymi no Peru e o Willkakuti na Bolívia, com cerimónias e oferendas ao Sol.
Como participar
- Sai para ver o amanhecer ou o pôr do sol: observar o Sol no seu ponto mais alto liga-nos ao sentido original da data.
- Conhece as tradições locais: das fogueiras de São João ao Inti Raymi, cada cultura tem a sua forma de o celebrar.
- Reflete sobre os ciclos: o solstício convida a pensar na passagem do tempo e na ligação com a natureza.
- Divulga a mensagem: partilha a efeméride com o hashtag #DiaDoSolstício.
O Dia Internacional da Celebração do Solstício lembra-nos que, muito antes das fronteiras e dos calendários modernos, toda a humanidade já partilhava o costume de erguer o olhar para o céu e celebrar a luz.
#DiaDoSolstício