O Dia da Virgem de Guadalupe celebra-se a 12 de dezembro e é a data religiosa que mais gente move em toda a América. Na noite de 11 para 12 a esplanada da Basílica do Tepeyac enche por completo, e à meia-noite em ponto milhões de vozes cantam Las Mañanitas ao mesmo tempo.
História e origem
O relato fundador está no Nican Mopohua, um texto escrito em náuatle que narra o ocorrido em dezembro de 1531, dez anos apenas depois da queda de Tenochtitlan.
Segundo esse relato, a 9 de dezembro um indígena chamado Juan Diego encontrou no cerro do Tepeyac uma mulher que se apresentou como a mãe do verdadeiro Deus. Pediu-lhe que solicitasse ao bispo a construção de um templo naquele lugar. O bispo pediu um sinal.
A tradição conta que a 12 de dezembro Juan Diego abriu a sua tilma diante dele, caíram rosas de Castela e na tela ficou impressa a imagem que hoje se venera. Essa tilma é a peça central da Basílica atual, inaugurada em 1976. Juan Diego foi canonizado em 2002, e João Paulo II proclamou a Virgem de Guadalupe padroeira da América.
Deixou de ser só uma devoção
A imagem do Tepeyac tornou-se o símbolo onde se reconheceram primeiro os povos indígenas e depois o México mestiço. Com o tempo passou a ser um sinal de identidade que ultrapassa a prática religiosa: há quem não entre numa igreja o ano inteiro e desça à Basílica a 12 de dezembro.
Também não ficou no terreno religioso. Quando Miguel Hidalgo iniciou a guerra da independência do México, levou de Atotonilco um estandarte com a Virgem e transformou-o na insígnia do movimento. Um século depois, as tropas de Zapata entraram na capital com a mesma imagem nos chapéus.
Guadalupe e Aparecida: dois santuários, duas padroeiras
Para um leitor lusófono a comparação faz-se sozinha. Guadalupe é padroeira de toda a América desde 1999; Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil desde 1930, recebeu 10,5 milhões de romeiros em 2025.
As diferenças são de calendário e de estatuto. Aparecida tem feriado nacional desde 1980, pela Lei 6.802. No México, o 12 de dezembro é dia útil, e mesmo assim enche o Tepeyac durante toda a noite.
Há ainda uma terceira Guadalupe, e é ibérica: a Virgem de Guadalupe da Estremadura tem mosteiro próprio em Cáceres e festa a 8 de setembro. Partilha o nome com a mexicana e pouco mais.
Como se vive no México
A celebração começa dias antes. Grupos de peregrinos saem a pé ou de bicicleta de estados vizinhos e chegam por estradas cortadas para eles; há quem caminhe mais de cem quilómetros. Na esplanada alternam-se as danças de concheros e matlachines, com penachos e maracas, numa mistura de rito pré-hispânico e festa católica que resume bem a data.
À meia-noite chegam Las Mañanitas. Depois vêm as missas contínuas durante todo o dia 12, as bancas de comida, os terços nas casas e as crianças vestidas de Juan Diego para a bênção.
Quase todas as guerras mexicanas tiveram a Guadalupana dos dois lados da frente. Insurgentes e realistas, revolucionários e governo: todos a reclamaram para si, o que diz bastante sobre o seu alcance.
A devoção estende-se além do México, por toda a América Latina e pelas comunidades mexicanas nos Estados Unidos, onde a data funciona como um dos principais pontos de encontro comunitário do ano.
Como participar
- Se for à Basílica nesses dias, vá com tempo e calçado confortável: entra-se em filas de várias horas.
- Leia o Nican Mopohua inteiro. É breve, está traduzido, e o cuidado com o ponto de vista indígena explica muito do seu alcance.
- Procure a celebração da comunidade mexicana mais próxima: a maioria organiza mañanitas nessa noite.
- Respeite o sentido da data ainda que não partilhe a fé. Para milhões de pessoas é o dia mais importante do ano.
O calendário de 12 de dezembro recolhe o que mais se assinala nesse dia. #VirgemDeGuadalupe
Verificado pela redação de Dia Internacional
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